Brasil pode enfrentar seis ondas de calor até dezembro por causa do Super El Niño: projeção baseada em 47 anos de registros climáticos alerta para novos períodos de temperaturas extremas
Estimativa considera o histórico de anos com El Niño e não significa um calendário fechado; Centro-Oeste e Sudeste estão entre as regiões que exigem mais atenção

O aquecimento das águas do Oceano Pacífico colocou o Brasil em alerta para uma primavera bem mais quente que o normal. Análises climáticas indicam que o país pode enfrentar pelo menos seis ondas de calor até dezembro, enquanto órgãos de Defesa Civil reforçam as orientações à população por causa das temperaturas extremas.
A estimativa leva em conta cerca de 47 anos de registros meteorológicos e compara o comportamento das temperaturas em anos marcados pelo El Niño.
O número de seis ondas de calor não significa que os episódios já tenham datas definidas. Trata-se de uma projeção feita a partir do histórico climático, e a quantidade pode mudar conforme as condições da atmosfera ao longo da primavera, que vai até 21 de dezembro.
Segundo dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), as ondas de calor ficaram mais frequentes no país nas últimas décadas. Dependendo da região, o Brasil costuma registrar entre oito e 14 episódios desse tipo ao longo de um ano.
El Niño muito forte
De acordo com a agência meteorológica dos Estados Unidos (NOAA), a probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte supera 90%. Os modelos também indicam chance elevada de o fenômeno alcançar níveis excepcionais entre outubro e dezembro.
Em agosto, a temperatura da superfície do mar na principal área de monitoramento do Pacífico já estava cerca de 1,8°C acima da média.
A expressão “Super El Niño” é usada de forma informal para episódios extremamente intensos. Os órgãos meteorológicos costumam classificar o fenômeno como forte ou muito forte.
Os efeitos já começaram a aparecer. No fim de setembro, áreas do país ficaram sob aviso vermelho de onda de calor, o nível que indica grande perigo. Em alguns pontos do Centro-Oeste, os termômetros chegaram à casa dos 40°C.
As Defesas Civis passaram a divulgar recomendações sobre hidratação, exposição ao sol e os riscos da baixa umidade do ar.
Regiões em alerta
As projeções apontam temperaturas acima da média em praticamente todo o Brasil, com os maiores desvios no Centro-Oeste e no Sudeste. Em Goiás, no Distrito Federal e em partes de Minas Gerais, as médias podem ficar mais de 2°C acima do normal para a época. O norte de São Paulo também pode registrar temperaturas cerca de 2°C acima do padrão.
No Norte, algumas áreas podem ficar entre 1,5°C e 2°C mais quentes, e no Nordeste a Bahia aparece entre os estados com possibilidade de calor mais intenso.
O El Niño, porém, não age da mesma forma em todo o país. No Sul, o fenômeno costuma trazer chuva acima da média, principalmente no Rio Grande do Sul, enquanto Norte e Nordeste tendem a enfrentar períodos mais secos.
No Centro-Oeste e no Sudeste, a combinação de pouca chuva, solo seco e calor favorece sequências prolongadas de temperaturas altas, sobretudo quando bloqueios atmosféricos impedem a chegada de frentes frias.
Risco de incêndios
O tempo seco também aumenta o risco de queimadas. Com pouca chuva, a vegetação perde umidade e vira combustível, e o vento ajuda a espalhar as chamas rapidamente.
Por isso, as autoridades pedem que a população evite qualquer tipo de queimada e não jogue materiais inflamáveis em áreas de vegetação.
Nem todo período quente é considerado oficialmente uma onda de calor. O Cemaden usa critérios ligados à persistência de temperaturas muito acima do padrão de cada região. Já o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) pode emitir alertas quando as temperaturas ficam pelo menos 5°C acima da média por vários dias seguidos.
O ponto em comum é a duração. Uma onda de calor não depende de um único dia quente, mas da manutenção das temperaturas elevadas por vários dias, muitas vezes com noites abafadas que dificultam a recuperação do corpo.
Cuidados com a saúde
A exposição prolongada ao calor aumenta o risco de desidratação, insolação e exaustão térmica, além de agravar doenças cardíacas e respiratórias. Idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas precisam de atenção redobrada.
A orientação é beber água com frequência, evitar atividades físicas nos horários mais quentes, reduzir a exposição direta ao sol e procurar locais ventilados. Sintomas como tontura, fraqueza, dor de cabeça, confusão mental e pele muito quente são sinais de alerta e exigem atendimento.








