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Baleias de duas famílias se juntam durante parto e levantam filhote recém-nascido para ele conseguir respirar

Pesquisadores que estudavam a comunicação de cachalotes nas proximidades da ilha de Dominica registraram um evento raro.


Por Clyverton Silva

05/09/2026 às 03h34

Baleias de duas famílias se juntam durante parto e levantam filhote recém-nascido para ele conseguir respirar
Imagem: Reprodução/Project Ceti

Pesquisadores que estudavam a comunicação de cachalotes nas proximidades da ilha de Dominica, no Caribe, registraram em 2023 um evento raro: o nascimento de um filhote da espécie, documentado em vídeo pela primeira vez com esse nível de detalhe.

As imagens mostram um grupo de 11 fêmeas, pertencentes a duas linhagens familiares distintas, agindo de forma coordenada para auxiliar o parto e manter o recém-nascido na superfície até que ele pudesse nadar sozinho.

Trabalho apresentado em artigos

O trabalho, conduzido por cientistas do Projeto CETI, resultou em dois artigos publicados nos periódicos Scientific Reports e Science. Os pesquisadores utilizaram drones e microfones para capturar o comportamento e os sons emitidos durante o processo, que durou cerca de 30 minutos.

Após o nascimento, pares de baleias se revezaram para segurar o filhote acima da água por horas, um cuidado coletivo que impressionou os especialistas.

Nível de cooperação observado considerado incomum

O nível de cooperação observado é considerado incomum no reino animal, especialmente entre espécies não primatas. Os cachalotes vivem em sociedades matriarcais estruturadas, e os registros indicam que mesmo indivíduos sem parentesco direto participaram ativamente do suporte à mãe e ao recém-nascido, sugerindo uma dinâmica social mais complexa do que se imaginava.

Os cientistas também identificaram padrões sonoros distintos durante o trabalho de parto, com emissão de cliques mais lentos e prolongados, que podem ter funcionado como sinais de coordenação entre os membros do grupo. A função exata desses sons ainda é objeto de investigação, mas a hipótese é que eles ajudem a sincronizar os movimentos coletivos em momentos críticos.