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Arquivo secreto de 1952 relata 160 objetos sem explicação perto de armas nucleares e cientistas suspeitam de alienígenas

Um áudio gravado em março de 1952 e recém-divulgado pelo governo dos Estados Unidos registra o relato do capitão Edward J. Ruppelt sobre cerca de 160…


Por Evellyn Nascimento

26/09/2026 às 08h08

Arquivo secreto de 1952 relata 160 objetos sem explicação perto de armas nucleares e cientistas suspeitam de alienígenas
Foto: Project Blue Book/EUA

Um áudio gravado em março de 1952 e recém-divulgado pelo governo dos Estados Unidos registra o relato do capitão Edward J. Ruppelt sobre cerca de 160 casos de objetos voadores que permaneciam sem explicação após análises técnicas. Parte dos registros estava concentrada nas proximidades de instalações consideradas estratégicas para a segurança nacional americana, incluindo locais relacionados ao desenvolvimento de armas nucleares.

O material faz parte de um novo lote de documentos sobre objetos voadores não identificados (OVNIs), liberado em 18 de setembro de 2026. Na gravação, Ruppelt afirma que a Força Aérea havia analisado aproximadamente 800 casos até aquele momento e que cerca de 20% deles continuavam sem uma explicação depois da avaliação técnica.

Os relatos mencionados pelo militar incluíam objetos aparentemente silenciosos e registros de radar que indicavam velocidades de até aproximadamente 3.500 milhas por hora, o equivalente a 5.600 km/h. Essas velocidades, porém, não foram confirmadas pela Força Aérea.

Avistamentos se concentravam perto de instalações estratégicas

Na apresentação, Ruppelt chamou atenção para a concentração de relatos em determinadas regiões dos Estados Unidos. Entre os locais citados estavam a região de Los Alamos e Albuquerque, no Novo México, além de White Sands e Oak Ridge, no Tennessee.

Los Alamos e Oak Ridge tinham importância particular no programa nuclear americano. Los Alamos foi responsável pelo desenvolvimento das primeiras armas nucleares durante o Projeto Manhattan, enquanto Oak Ridge participou da produção de materiais necessários ao programa. A proximidade dos relatos com áreas sensíveis fez com que o fenômeno fosse tratado também como uma possível questão de segurança nacional.

A preocupação apresentada no áudio era obter dados melhores para determinar o que estava sendo observado. O militar defendia a adoção de métodos mais precisos de coleta de evidências, como fotografias especializadas e sincronização entre registros visuais e radares.

Radares registraram velocidades que não foram confirmadas

Um dos aspectos mais chamativos da gravação são os relatos de detecções de radar envolvendo velocidades entre 1.000 e 3.500 milhas por hora, faixa que corresponde aproximadamente a 1.600 a 5.600 km/h.

O próprio material, porém, apresenta limitações. Ruppelt mencionou que alguns registros de alta velocidade não tinham confirmação visual correspondente e que determinadas medições não eram consideradas suficientemente confiáveis pelos operadores. Em um dos casos associados a White Sands, por exemplo, foi registrada uma velocidade de aproximadamente 3.500 milhas por hora, mas a própria equipe responsável pelo radar não sustentava a medição como uma confirmação definitiva.

Por isso, os números indicados no documento representam leituras de radar relatadas na época, e não uma comprovação de que algum objeto tenha efetivamente voado a 5.600 km/h.

Muitos relatos descreviam objetos silenciosos

Outro padrão citado por Ruppelt foi a ausência de ruído. Alguns dos relatos considerados não explicados descreviam objetos que pareciam se deslocar pelo céu sem produzir um som correspondente.

Os casos não vinham apenas de pessoas sem treinamento técnico. Segundo Ruppelt, entre os registros havia relatos feitos por militares, pilotos comerciais e outros observadores considerados confiáveis pela equipe de investigação. A presença dessas testemunhas era utilizada para justificar uma análise mais cuidadosa dos fenômenos, embora a credibilidade do observador não fosse suficiente, por si só, para determinar a natureza do objeto observado.

O próprio áudio mostra que a equipe enfrentava dificuldades para obter evidências físicas. Ruppelt defendia justamente a instalação de equipamentos que permitissem registrar melhor os fenômenos, em vez de depender principalmente dos relatos posteriores das testemunhas.

Investigação deu origem ao Projeto Blue Book

Edward J. Ruppelt era responsável pela investigação de OVNIs da Força Aérea no início de 1952. O trabalho havia passado anteriormente pelos projetos Sign e Grudge e foi reorganizado em março daquele ano, quando recebeu o nome de Projeto Blue Book. A iniciativa continuou até 1969, quando a Força Aérea encerrou oficialmente o programa.

O Projeto Blue Book analisou milhares de relatos ao longo de sua existência. A conclusão oficial divulgada pela Força Aérea ao final do programa foi de que não havia evidências de que os casos investigados representassem veículos extraterrestres. O Arquivo Nacional dos Estados Unidos registra que, entre os casos analisados, muitos foram associados a fenômenos naturais, aeronaves convencionais, interpretações equivocadas ou fraudes, enquanto uma parcela permaneceu sem identificação definitiva.

A documentação liberada agora acrescenta uma gravação de um período inicial dessa investigação. Ela mostra como os militares americanos lidavam com os relatos durante a Guerra Fria e por que a proximidade de alguns deles com instalações militares e nucleares era considerada relevante.