Arqueólogos removem areia e pedras de entrada fechada há 600 anos no Peru e encontram 38 corpos cercados por ouro, armas e joias
Túmulo, localizado perto da atual Trujillo, no norte do Peru, guardava mais de três dezenas de pessoas enterradas há cerca de 600 anos.

Arqueólogos peruanos anunciaram a descoberta de um mausoléu Chimú praticamente intacto em Chan Chan, antiga capital dessa civilização que precedeu os incas. O túmulo, localizado perto da atual Trujillo, no norte do Peru, guardava mais de três dezenas de pessoas enterradas há cerca de 600 anos, ao lado de armas de metal, artefatos de cobre e ouro, joias e tecidos coloridos. Segundo os pesquisadores, o conjunto indica que os mortos eram indivíduos de alto status, possivelmente da realeza.
A informação foi divulgada pela BBC News. O arqueólogo-chefe Jorge Meneses afirmou à BBC que esta é a primeira vez que arqueólogos peruanos encontram uma plataforma funerária quase intacta, com conteúdo inalterado, projetada para um membro da elite e com a câmara principal selada por quase seis séculos.
Até então, o conhecimento sobre enterros de elite Chimú vinha de plataformas saqueadas, coleções particulares e acervos de museus, sem dados científicos sobre os indivíduos e seus artefatos, disse ele ao El País.
Chimú
Os Chimú prosperaram no que hoje é o norte do Peru entre cerca de 900 e 1470. A civilização é descrita como a primeira verdadeira sociedade de engenharia do Novo Mundo, tendo criado uma rede de canais de irrigação que permitiu a sobrevivência em um vale desértico.
Seus reis viviam em palácios murados, e cada governante construía um novo complexo real ao assumir o poder. Muitos dos palácios que restaram em Chan Chan têm plataformas funerárias onde os governantes eram sepultados com membros de sua comitiva.
O mausoléu fica no complexo Utzh An. Uma escada desce até a câmara central, com cerca de 4 pés de largura e 16 pés de profundidade, segundo a agência estatal Andina. Ali, os arqueólogos identificaram os restos de uma única pessoa, cujo crânio tinha traços de pigmento vermelho, possivelmente cinábrio.
Alguns ossos estavam faltando, o que levou os pesquisadores a supor que os restos foram movidos ou reenterrados depois, prática comum entre sociedades andinas da época, que seguiam interagindo com os corpos de seus mortos.









