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Arqueólogos abriram um recipiente feito há cerca de 4 mil anos e encontraram sementes de uma flor que ainda hoje nasce na mesma região, apesar de atualmente sobreviver em uma área extremamente restrita

Sementes guardadas dentro de um recipiente de 4.000 anos revelaram algo que vai além da arqueologia convencional.


Por Clyverton Silva

26/09/2026 às 07h07

Arqueólogos abriram um recipiente feito há cerca de 4 mil anos e encontraram sementes de uma flor que ainda hoje nasce na mesma região, apesar de atualmente sobreviver em uma área extremamente restrita
Foto ilustrativa: Ron Lach/Pexels

Sementes guardadas dentro de um recipiente de 4.000 anos, achado em um sítio hitita na Turquia central, revelaram algo que vai além da arqueologia convencional: a presença de uma flor endêmica que ainda cresce hoje nos arredores de Ancara.

A espécie é conhecida como Sevgi Çiçeği, ou Centaurea tchihatcheffii, e sobrevive apenas em uma área reduzida do distrito de Gölbaşı. Segundo o Ministério da Cultura e Turismo turco, são os vestígios mais antigos já identificados dessa planta. O anúncio foi feito pelo ministro Mehmet Nuri Ersoy.

Flor é considerada uma das espécies mais vulneráveis

O interesse do achado não está apenas na antiguidade. A flor, hoje considerada uma das espécies mais vulneráveis da capital turca, integrava a paisagem onde viviam as comunidades de Külhöyük há cerca de quatro milênios. Isso aproxima a arqueologia da botânica e sugere uma continuidade ecológica rara, ligando o ambiente atual ao de populações que ocuparam a região na Idade do Bronze.

Külhöyük fica perto da vila de Oyaca, no distrito de Gölbaşı, a cerca de oito quilômetros do monumento hitita de Gavurkale. O monte tem cerca de 250 por 150 metros e 22 metros de altura.

A ocupação começou há aproximadamente 5.000 anos, no terceiro milênio a.C., no período hattiano, e depois o local se tornou um centro hitita relevante. Sua posição era estratégica, em rotas militares e comerciais que levavam da Anatólia Central aos Portões da Cilícia e, adiante, à Síria e à Mesopotâmia.

As escavações já revelaram muralhas ciclópicas, três postigos e parte de um edifício monumental. Um selo cilíndrico de estilo mitanni e uma selagem de argila com hieróglifos hititas reforçam as conexões do sítio com o mundo político e cultural da Idade do Bronze Tardia.