Após 80 baleias serem mortas em uma temporada, país prepara lei para acabar definitivamente com a caça comercial
A Islândia prepara uma mudança histórica em sua relação com a caça comercial de baleias. O governo pretende apresentar ao Parlamento, em fevereiro de…

A Islândia prepara uma mudança histórica em sua relação com a caça comercial de baleias. O governo pretende apresentar ao Parlamento, em fevereiro de 2027, um projeto de lei para proibir definitivamente a atividade no país. Se a proposta for aprovada, Noruega e Japão serão os únicos países que continuarão autorizando a caça comercial de baleias.
A iniciativa ocorre no mesmo ano em que a Islândia retomou a atividade após dois anos sem capturas. Até o início de setembro, 80 baleias-fin haviam sido mortas durante a temporada, que tem autorização para chegar a 150 animais. A espécie é classificada como vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
A proposta representa uma mudança na política islandesa depois de anos de pressão de organizações de proteção animal e de debates internos sobre o futuro da atividade. O projeto também conta, segundo o governo e grupos envolvidos na discussão, com apoio político e público à ideia de encerrar a caça comercial.
Islândia voltou a caçar baleias em 2026
A temporada deste ano marcou a retomada da caça comercial depois de um intervalo de dois anos. A última captura havia ocorrido em 2023, quando 24 baleias-fin foram mortas. Em 2024, a empresa Hvalur, única companhia baleeira ainda ativa no país, recebeu uma licença de cinco anos para realizar a atividade, mas não houve caça naquele ano nem em 2025.
Para 2026, o Instituto de Pesquisa Marinha e de Água Doce da Islândia recomendou que a captura de baleias-fin não ultrapassasse 150 animais. O número representa uma redução de 28% em relação à recomendação anterior para a espécie. Também foi estabelecido um limite de 168 baleias-minke, embora a atividade tenha como principal alvo atual as baleias-fin.
A caça é realizada pela Hvalur, que opera com embarcações especializadas. A carne das baleias-fin capturadas na Islândia é destinada principalmente à exportação para o Japão, onde existe um mercado consumidor para o produto.
Moratória internacional não encerrou a caça comercial
A caça comercial de baleias passou a ser alvo de uma restrição internacional na década de 1980. Em 1982, a Comissão Baleeira Internacional (IWC) decidiu estabelecer uma moratória que levou os limites de captura comercial para zero a partir da temporada de 1985/1986. A medida continua em vigor.
Noruega e Islândia, porém, adotaram posições diferentes diante da decisão. A Noruega apresentou uma objeção à moratória e retomou a caça comercial em 1993. A Islândia deixou a Comissão Baleeira Internacional em 1992 e voltou a fazer parte da organização em 2002, com uma reserva em relação à proibição. Em 2006, o país retomou oficialmente a caça comercial.
O Japão seguiu outro caminho. O país deixou a Comissão Baleeira Internacional em 2019 e, desde então, realiza caça comercial em suas próprias águas territoriais. Com a eventual saída da Islândia, os dois países serão os únicos a manter a atividade comercial de forma aberta.
Baleia-fin é considerada vulnerável
A espécie que concentra a atividade islandesa é a baleia-fin, segundo maior animal do planeta, atrás apenas da baleia-azul. Na Lista Vermelha da IUCN, ela aparece na categoria “vulnerável”, que indica risco elevado de extinção na natureza.
O tamanho dos animais também está relacionado à preocupação com a recuperação das populações. Baleias-fin têm maturação relativamente lenta e baixa taxa reprodutiva, características que fazem com que as populações levem mais tempo para se recuperar de pressões externas, segundo informações reunidas por organizações de conservação.
A Comissão Baleeira Internacional, por sua vez, mantém a moratória sobre a caça comercial, embora existam exceções e categorias distintas dentro do sistema internacional, como a caça de subsistência praticada por determinadas comunidades indígenas. Essa modalidade tem finalidade cultural e alimentar e não deve ser confundida com a atividade comercial realizada por países como Noruega, Japão e, até agora, Islândia.
País pode abandonar atividade definitivamente
A decisão de propor o fim da caça ocorre após um período de crescente oposição à atividade dentro e fora da Islândia. Organizações de proteção animal vêm pressionando o governo para encerrar a prática, enquanto o setor baleeiro recebeu uma licença de cinco anos em 2024.
A autorização permitiu que a única empresa ainda atuante no país mantivesse a possibilidade de caçar durante o período, mas a decisão de apresentar uma nova legislação pode colocar um ponto final na atividade após décadas de controvérsia.
Se o projeto for aprovado em 2027, a Islândia deixará de fazer parte do pequeno grupo de países que ainda mantêm a caça comercial de baleias. A mudança também alteraria o cenário internacional da atividade, deixando Noruega e Japão isolados entre as nações que continuam autorizando a prática comercial.








