Aos 30 anos, trabalhador fica 9 dias preso em túnel sem comida, bebe água que escorria da montanha e é encontrado vivo quando já tinha perdido a noção do tempo

Uma história surpreendente de sobrevivência, contada pelo próprio trabalhador à Reuters, vem repercutindo mundialmente. O homem, de 30 anos, ficou nove dias preso em um túnel, sem sequer conseguir se alimentar. Além disso, a água à qual ele tinha acesso era a que escorria da montanha. O cenário era muito ruim, mas, mesmo assim, apesar de ter chegado a perder a noção do tempo, ele foi encontrado com vida. Continue a leitura e veja mais detalhes!
O sobrevivente é Sanjay Sah, que trabalhava havia mais de três anos como supervisor mecânico na usina hidrelétrica Upper Trishuli 3A, no Nepal. Ele estava no local quando uma inundação provocada pelo colapso de uma geleira no Himalaia atingiu a região e destruiu estruturas próximas à usina. Sah acabou isolado dentro de um túnel tomado pela água e por destroços.
Homem passou dias em completa escuridão
Um dos maiores problemas enfrentados por Sah foi a ausência total de luz. O trabalhador contou à Reuters que passou longos períodos com os olhos fechados porque tinha medo de se ferir com algum pedaço de material espalhado pelo túnel.
A estratégia também teve uma consequência curiosa: depois de manter os olhos fechados repetidamente, ele passou a ter dificuldade para abri-los. Sem qualquer referência visual, o trabalhador deixou de conseguir distinguir os dias e as noites e não sabia mais em que momento estava.
A perda da percepção do tempo se tornou ainda mais intensa porque Sah não tinha relógio ou qualquer outra forma de acompanhar a passagem das horas. Ele inicialmente acreditava que o resgate poderia acontecer em poucos dias, mas chegou a considerar a possibilidade de permanecer naquele ambiente por 10, 20 ou até 30 dias.
Água da inundação foi fundamental para a sobrevivência
Durante o período em que ficou isolado, Sah não tinha comida. Para conseguir se manter hidratado, bebeu a água da própria inundação e também o líquido que escorria pelas rochas da montanha.
A condição era extremamente limitada, mas a presença de água foi determinante para que ele pudesse continuar vivo enquanto aguardava uma equipe de resgate. O trabalhador permaneceu em uma área que considerou relativamente mais segura, evitando se deslocar desnecessariamente em meio aos escombros e à escuridão.
A ausência de alimentos por vários dias significou que o corpo precisou lidar com uma situação de privação energética enquanto o trabalhador ainda enfrentava o estresse físico e psicológico provocado pelo confinamento. Mesmo sem saber quando seria retirado dali, ele decidiu permanecer no local em que acreditava estar menos exposto aos riscos.
Mantra ajudou trabalhador a manter a esperança
Além das estratégias práticas para permanecer em segurança, Sah recorreu à sua fé durante o confinamento. Devoto de Krishna, ele repetiu o Maha Mantra, uma prática associada à tradição hindu, como forma de manter a concentração e o ânimo.
Em entrevista à Reuters, o trabalhador relatou que pensava na família e imaginava a preocupação dos parentes com seu desaparecimento. Para ele, manter a esperança era parte da própria tentativa de sobreviver enquanto aguardava ajuda.
A situação era particularmente difícil porque Sah não tinha informações sobre o que estava acontecendo do lado de fora. O silêncio e a escuridão fizeram com que ele perdesse completamente as referências usadas para estimar quanto tempo ainda teria de esperar.
Resgate aconteceu depois de nove dias
A situação começou a mudar quando Sah percebeu sinais de movimentação do lado de fora. Ele passou a ouvir sons que indicavam a aproximação dos socorristas, até que a equipe conseguiu chegar ao ponto onde ele estava.
O trabalhador foi retirado do túnel em 4 de setembro, junto com Kabir Maharjan, outro homem que também havia ficado preso na estrutura. Sah foi levado para atendimento médico e permaneceu hospitalizado antes de receber alta.
Maharjan também sobreviveu, mas sofreu ferimentos graves e precisou continuar internado. O caso dos dois chamou atenção porque eles estavam entre os poucos trabalhadores encontrados vivos depois da destruição provocada pelas inundações e pelos deslizamentos na região.
Tragédia deixou milhares de pessoas desaparecidas
O resgate de Sah ocorreu em meio a uma das maiores tragédias recentes no Nepal. O colapso de uma geleira no fim de agosto provocou uma inundação de grandes proporções em áreas do Nepal e do Tibete, destruindo estradas, instalações de infraestrutura e usinas hidrelétricas.
A dimensão do desastre ajuda a explicar a dificuldade das equipes para localizar pessoas presas ou desaparecidas. Em 16 de setembro, a Reuters informou que cerca de 5.200 pessoas ainda estavam desaparecidas no Nepal e que pelo menos 1.399 mortes haviam sido confirmadas.
As buscas também enfrentaram obstáculos físicos, como grandes volumes de destroços, terreno montanhoso e estruturas danificadas. Em instalações de geração de energia atingidas pelas inundações, os socorristas precisaram procurar trabalhadores que poderiam estar isolados em túneis ou outras áreas da infraestrutura.
Sobrevivente voltou para casa após deixar hospital
Depois de aproximadamente uma semana recebendo atendimento hospitalar, Sah conseguiu retornar para sua família. A volta aconteceu em meio à mobilização de parentes e moradores de sua comunidade, que acompanharam o caso enquanto ele permanecia desaparecido.
O trabalhador afirmou que estava grato por ter sobrevivido e chegou a dizer que estaria disposto a voltar ao trabalho caso fosse necessário. Ao mesmo tempo, a experiência deixou marcas em razão das pessoas que não conseguiram escapar da inundação.
O caso de Sanjay Sah se tornou um dos episódios mais incomuns da tragédia justamente pela combinação de fatores que permitiu sua sobrevivência: ele encontrou um ponto relativamente protegido dentro do túnel, conseguiu obter água e permaneceu no local até que os socorristas alcançassem a área. Depois de dias sem luz, comida ou qualquer referência temporal, ele foi retirado com vida.









