Alerta para pessoas com Parkinson: remédio muito usado pode reduzir vitamina importante e aumentar risco de convulsões
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta sobre o risco de deficiência de vitamina B6 em pacientes que utilizam medicamentos…

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta sobre o risco de deficiência de vitamina B6 em pacientes que utilizam medicamentos contendo carbidopa e levodopa, combinação usada no tratamento dos sintomas da doença de Parkinson. Segundo a agência, a redução dos níveis da vitamina pode estar associada à ocorrência de convulsões.
A medida foi adotada depois que a Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, identificou casos de convulsões relacionados à deficiência de vitamina B6 em pacientes que faziam uso de medicamentos com a combinação. No Brasil, até o momento, não foram identificados casos semelhantes notificados à Anvisa.
O orgão determinou a atualização da bula do Carbidol, medicamento composto por carbidopa e levodopa, para incluir informações sobre o risco. A agência também recomendou que os níveis de vitamina B6 sejam avaliados antes do início do tratamento e acompanhados periodicamente durante o uso.
O que foi identificado pelas autoridades
O alerta brasileiro tem origem em uma avaliação de segurança realizada pela FDA. O órgão americano analisou relatos de eventos adversos e identificou 14 casos de convulsões associados à deficiência de vitamina B6 em pessoas que utilizavam medicamentos contendo carbidopa e levodopa. Os registros envolveram 13 notificações recebidas pela agência e um caso descrito na literatura médica.
Nos casos analisados, todos os pacientes utilizavam doses de levodopa superiores a 1.000 miligramas por dia. A FDA observou ainda que doses acima de 1.500 miligramas estavam associadas a um intervalo menor entre o início do tratamento e a identificação da deficiência de vitamina B6. Os relatos ocorreram após períodos prolongados de uso, que variaram de 23 a 132 meses.
A FDA considerou haver evidências suficientes de uma relação causal entre os medicamentos contendo carbidopa/levodopa, a deficiência de vitamina B6 e as convulsões. O órgão americano também determinou mudanças nas informações de segurança dos medicamentos para alertar profissionais de saúde e pacientes.
Por que a carbidopa e a levodopa podem afetar a vitamina B6
A combinação é utilizada para aumentar a disponibilidade de levodopa para o cérebro. A substância é convertida em dopamina, neurotransmissor cuja redução está relacionada aos sintomas motores do Parkinson. A carbidopa atua impedindo parte da conversão da levodopa fora do cérebro, permitindo que uma quantidade maior chegue ao sistema nervoso central.
A vitamina B6 participa de diferentes processos metabólicos e da produção de neurotransmissores. Quando seus níveis ficam muito baixos, podem surgir manifestações como alterações neurológicas, confusão, depressão, inflamações nos lábios e na língua, anemia, formigamento, dor, dormência e fraqueza muscular. Convulsões também podem ocorrer em quadros associados à deficiência.
Como deve ser feito o acompanhamento
A recomendação da Anvisa é que a avaliação da vitamina B6 seja considerada antes do início do tratamento com carbidopa/levodopa e repetida periodicamente durante o uso. O acompanhamento também deve ser realizado caso apareçam sintomas que possam indicar deficiência.
A FDA recomenda que profissionais de saúde avaliem a necessidade de suplementação de vitamina B6 quando houver deficiência. A orientação não significa que todas as pessoas que usam carbidopa/levodopa precisem tomar suplementos por conta própria. A necessidade deve ser avaliada individualmente pelo profissional responsável pelo tratamento.
Nos casos analisados pela FDA, nove pacientes receberam suplementação de vitamina B6 e todos apresentaram resolução das convulsões. A maioria deles, antes disso, não havia respondido aos medicamentos anticonvulsivantes utilizados. Dois pacientes morreram após apresentarem deficiência documentada de B6 e convulsões de difícil controle.
Alerta não significa interrupção do tratamento
A carbidopa/levodopa continua sendo utilizada no controle dos sintomas do Parkinson. O alerta da Anvisa tem caráter preventivo e busca ampliar as informações disponíveis sobre um possível efeito relacionado ao tratamento.
Por isso, pacientes que utilizam o medicamento não devem interromper ou alterar a dose por conta própria. A conduta deve ser discutida com o médico responsável, principalmente se houver dúvidas sobre a duração do tratamento, a dose utilizada ou a necessidade de avaliar os níveis de vitamina B6.
No Brasil, a Anvisa informou que ainda não recebeu notificações de casos semelhantes aos identificados nos Estados Unidos. A atualização da bula do Carbidol e a recomendação de monitoramento foram adotadas justamente para permitir a identificação precoce de uma possível deficiência e ampliar a segurança durante o tratamento.









