Abastecer o carro de madrugada ou nas primeiras horas da manhã parece uma boa estratégia para gastar menos, mas existe um detalhe nos tanques dos postos que muda tudo
Tanques subterrâneos dos postos neutralizam as variações de temperatura, tornando insignificante qualquer economia ao escolher horários específicos para abastecer.

Muita gente escolhe abastecer logo cedo ou à noite na esperança de economizar alguns reais no posto. Essa ideia se baseia em um princípio físico: líquidos como gasolina e etanol mudam de densidade conforme a temperatura ao redor deles.
O raciocínio parece simples: com o combustível mais frio, cada litro carregaria um pouco mais de massa e, consequentemente, mais energia disponível para o motor. Na prática, porém, esse efeito não funciona do modo que a crença popular promete.
O que a física realmente diz sobre o combustível
O processo envolve expansão térmica. Quando exposto ao calor, o líquido ocupa mais espaço sem alterar sua massa, o que reduz sua densidade.
Em temperaturas baixas, o volume encolhe, e a mesma massa fica mais concentrada. Para o mesmo volume marcado na bomba, o combustível gelado teoricamente entrega uma fração a mais de energia química.
Esse fenômeno térmico está previsto na Resolução ANP número 894/2022, que trata de coeficientes de correção da massa específica e do volume de derivados de petróleo a 20°C.
Por que o horário de abastecer quase não faz diferença
A explicação está nos tanques subterrâneos dos postos. Gasolina, etanol e diesel ficam armazenados ali, isolados das oscilações de temperatura registradas pelo termômetro na rua.
O solo ao redor retarda mudanças bruscas na temperatura do combustível armazenado no tanque. Por isso, uma manhã gelada seguida de uma tarde quente dificilmente altera de forma perceptível a temperatura do líquido estocado no subsolo.
A temperatura do ar medida em determinado momento não indica o que está acontecendo dentro do tanque. A variação no subsolo é lenta e gradual, e não acompanha o relógio nem o sol.








