Ouça agora

A poucos quilômetros de uma das praias mais famosas do Brasil, pesquisadores encontram “tesouro” no fundo do mar com milhares de animais e uma descoberta inesperada

Operação contará com um navio equipado com sonar e um Side Scan Sonar, que mapeia o fundo do mar por meio de ondas sonoras.


Por Clyverton Silva

29/09/2026 às 12h06

A poucos quilômetros de uma das praias mais famosas do Brasil, pesquisadores encontram “tesouro” no fundo do mar com milhares de animais e uma descoberta inesperada
Foto ilustrativa: RDNE Stock project/Pexels

A poucos quilômetros da orla de Ipanema, no Rio de Janeiro, perto das Ilhas Cagarras, foram identificados bancos de algas calcárias com coloração rosada, um achado inédito para a região. Enquanto a humanidade dedica recursos imensos a explorar a Lua, ecossistemas inteiros permanecem desconhecidos perto de casa.

Ali, diversas espécies de peixes, crustáceos e moluscos encontram abrigo e se reproduzem, entre muitos outros animais marinhos.

Essas estruturas, chamadas de rodolitos, se assemelham a recifes de coral, mas são formadas por algas, e não pelos pólipos dos corais. Esse tipo de ecossistema é típico de regiões como o Caribe e os Abrolhos. A descoberta revela um trecho do Atlântico carioca que até então permanecia inexplorado.

Como surgiu a descoberta

O que se viu foi um fundo tomado por tons de rosa e fartura de vida marinha, algo que nenhum levantamento anterior havia registrado nessa escala. Novos mergulhos confirmaram a existência de um segundo banco.

O primeiro banco, o mais próximo da orla carioca, ocupa aproximadamente 20 mil metros quadrados — quase o tamanho de três campos de futebol. Nele vivem espécies de peixes valorizados, como vermelhos, budiões e cangulos.

Os cangulos são tão abundantes que os pescadores chamam o local de “Cangulândia”. O segundo banco é mais esparso, mais profundo e foi menos explorado.

Os pesquisadores acreditam que podem existir outras formações além dessas duas. Para explorar as áreas e medir o tamanho e a composição dos bancos, eles usarão um robô submarino do tamanho de um carro, equipado com sensores e câmaras e controlado à distância.

A operação contará com um navio equipado com sonar e um Side Scan Sonar — equipamento acústico rebocado que mapeia o fundo do mar por meio de ondas sonoras. A empresa OceanPact cederá esses recursos.