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13 pessoas que usavam canetas para diabetes e controle do peso tiveram uma doença rara nos olhos, e Anvisa agora investiga se existe relação com os medicamentos

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária analisa 13 casos de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (Noia), doença rara que pode…


Por Bernardo Teixeira

28/09/2026 às 18h08

13 pessoas que usavam canetas para diabetes e controle do peso tiveram uma doença rara nos olhos, e Anvisa agora investiga se existe relação com os medicamentos
Foto: Haberdoedas Photography/Pexels

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária analisa 13 casos de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (Noia), doença rara que pode causar perda permanente da visão, em pacientes que usavam medicamentos para diabetes e controle do peso.

Os agonistas de GLP-1, classe que inclui Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro, aparecem nessas notificações, embora ainda não exista comprovação direta de que os remédios causem a condição.

A relação ainda é incerta: um estudo identificou risco até sete vezes maior de Noia entre usuários de semaglutida. Pesquisadores alertam, porém, que a maioria dos pacientes afetados também tinha diabetes, fator que já compromete os vasos sanguíneos de forma independente. Nos EUA, foram abertos processos contra a Novo Nordisk por causa desse risco de perda de visão.

Os números sob Vigilância da Anvisa

Desde 2018, o painel de farmacovigilância da Anvisa registra 24 suspeitas de neuropatia isquêmica óptica associadas a diferentes medicamentos. Destas, 13 estão ligadas aos agonistas de GLP-1, e ozempic concentra 5 notificações, Wegovy aparece em 3, Wegovy FlexTouch e Rybelsus têm 2 cada, e Mounjaro soma 1 caso.

A agência ressalva que uma mesma notificação pode envolver mais de um medicamento, razão pela qual os números podem se sobrepor. Do total, 12 registros mencionam semaglutida, a substância presente em Ozempic, Wegovy e Rybelsus, e um único caso cita tirzepatida, o princípio ativo do Mounjaro.

13 pessoas que usavam canetas para diabetes e controle 1
Alones/Shutterstock

Como a doença afeta a visão

A Noia ocorre quando pequenos vasos sanguíneos que alimentam a parte frontal do nervo óptico ficam obstruídos. Sem oxigênio e nutrientes suficientes, as células nervosas sofrem lesão e a visão pode desaparecer de repente, habitualmente sem dor antecedente.

A gravidade da condição levou a Anvisa a incluir, desde junho de 2025, a Noia como reação adversa muito rara na bula dos medicamentos que contêm semaglutida.

O que a pesquisa científica aponta

Pesquisadores que analisaram mais de 1,6 mil prontuários para publicação na JAMA Ophthalmology detectaram risco entre quatro. E sete vezes maior de Noia em pacientes tratados com semaglutida, em comparação com os que usaram outras medicações.

Contudo, limitações no desenho do estudo impedem afirmar com certeza se o fármaco causa a doença ou apenas aumenta a vulnerabilidade em pessoas já predispostas.

A maioria dos pacientes analisados também era diabética, condição que, por si só, enfraquece os vasos e o nervo óptico. Conforme informou o oftalmologista Rubens Belfort Neto ao g1, pacientes com doenças preexistentes, como diabetes, já sofrem agressão vascular.

O que aumenta o risco oftalmológico e dificulta discernir se a perda visual resultaria da própria doença ou do uso do medicamento.

Outras complicações oculares registradas

Além dos 13 casos de Noia, o painel da Anvisa documentou 74 registros de problemas visuais adicionais em usuários das canetas emagrecedoras. Visão turva foi registrada em 37 notificações, enquanto 29 registraram comprometimento visual. Uma única notificação pode descrever múltiplos sintomas, de modo que esses números não representam necessariamente a quantidade total de pacientes afetados.

Posicionamento das fabricantes

A Novo Nordisk divulgou que uma análise de ensaios clínicos, que reuniu 83 mil pacientes-ano de acompanhamento no grupo que recebeu semaglutida. Não constatou aumento na incidência de Noia em comparação com placebo. A empresa também considera positiva a relação entre benefícios terapêuticos e riscos associados ao medicamento.

A Eli Lilly, responsável pelo Mounjaro, afirma que monitora continuamente e comunica às autoridades regulatórias as informações de segurança dos seus fármacos, incluindo possíveis questões oftalmológicas decorrentes do seu uso.