Projeto voluntário acolhe mulheres em tratamento de câncer de mama na região de Juiz de Fora
Criada por moradora de Chácara, iniciativa reúne 24 mulheres e promove encontros de acolhimento e troca de experiências; voluntários podem contribuir com atividades e doações de tempo
Mulheres em tratamento de câncer de mama em Chácara e Juiz de Fora encontram no projeto voluntário “A força de cada laço” um espaço de acolhimento, troca de experiências e apoio emocional. Criada em 2025 pela trabalhadora Cleide Santos, de 46 anos, a iniciativa reúne atualmente 24 participantes, que compartilham suas vivências em um grupo de mensagens e participam de encontros presenciais com atividades voltadas ao bem-estar e à autoestima. Sem apoio financeiro público ou privado, o projeto também está aberto a pessoas interessadas em contribuir voluntariamente, oferecendo atividades, conhecimentos ou parte do seu tempo para acolher as mulheres.
A iniciativa surgiu depois que Cleide, moradora do município de Chácara, a menos de 30 quilômetros de Juiz de Fora, acompanhou mulheres da família durante o tratamento de câncer de mama. A experiência despertou nela o desejo de criar um espaço em que pudessem se acolher e transformar o período difícil em momentos para compartilhar força e afeto. A ideia ganhou mais força quando ela foi diagnosticada com um nódulo benigno da mama e começou a fazer acompanhamento clínico a cada semestre.
Foi a partir dessas experiências que, em 2025, ela criou o projeto “A força de cada laço”. “Queria fazer algo que levantasse a autoestima, que mostrasse que elas têm valores, que podem estar no mercado de trabalho e ter uma vida normal, apesar de estarem se tratando e se cuidando. Muitas vezes, elas podem se sentir isoladas, por isso, fiz um grupo com essas mulheres”, conta.
O primeiro encontro, realizado em agosto de 2025, ofereceu uma oficina de amarração de lenços e turbantes com a esteticista Lorena Ribeiro, que auxilia mulheres em tratamento em hospitais de Juiz de Fora. “A maioria perde o cabelo no início do tratamento e fica sem durante um tempo. Então, para a vaidade delas, que é muito importante também, nada melhor do que isso.”
Além dos encontros presenciais, as mulheres que participam do projeto conversam diariamente sobre suas experiências em um grupo de aplicativo de mensagens. Na troca, falam sobre o tratamento, os procedimentos, as consultas e as reações aos medicamentos, como também sobre os cuidados com a pele e cabelos. Ela considera o grupo como um espaço em que todas podem se apoiar emocionalmente e melhorar a autoestima. “Falam abertamente sobre os medos, sobre os momentos difíceis, mas também sobre os felizes”, conta.
Moradora da área rural de Chácara, Cleide trabalha em Juiz de Fora e faz diariamente o trajeto de ida e volta entre os dois municípios. Mesmo com a rotina de deslocamento, organiza as atividades do projeto, que acolhe mulheres das duas cidades..
Até o momento, as integrantes do grupo já se reuniram quatro vezes, e todos os encontros foram realizados no município de Chácara, onde buscam locais abertos e próximos a áreas verdes. “Em outros encontros fizemos yoga, conversamos com uma psicóloga e uma nutricionista também. Nosso último, realizado neste mês em comemoração ao Outubro Rosa, foi em uma granja onde fizemos uma oficina de pintura em taças com a artesã Claudia Rosano.”
‘O projeto nos dá mais força’
A cabeleireira aposentada Aparecida Rodrigues de Assis, de 69 anos, recebeu o diagnóstico de câncer de mama no final de 2013. Logo começou seu tratamento, fez quimioterapia, removeu uma das mamas e depois a reconstruiu com implante de silicone. Desde então, faz acompanhamento da outra mama com hormonioterapia.
Ela conta que participou do projeto ‘A Força de Cada Laço’ em dois encontros. “Fui convidada pela Lorena, que cuida de mulheres com dores crônicas durante o tratamento. O projeto nos dá mais força, coragem e segurança durante nosso tratamento. Afinal, é um dia de cada vez.”
Também moradora de uma área rural em Chácara, a trabalhadora e influenciadora Cassia Dayana, de 37 anos, iniciou o tratamento do câncer de mama em março de 2025, também precisou fazer a mastectomia e tem expectativa de concluir ainda em dezembro deste ano. “Participei do primeiro encontro, e foi muito acolhedor! Tivemos um café da manhã maravilhoso. Temos um grupo em que conversamos e nos apoiamos, ajudando muitas mulheres.”
Cássia diz tentar levar a vida com muito alto astral e busca ajudar as mulheres nas redes sociais ao mostrar que a vida pode continuar sendo vivida mesmo com o câncer de mama.
‘Abraçar a causa e participar de coração’
Cleide conta que o projeto vem sendo tocado com gastos do seu próprio bolso e com a ajuda de algumas amigas e participantes, sem contar com apoio financeiro público ou privado. “Esse projeto, para mim, é como se fosse um filho. Era um sonho, eu tinha que fazer alguma coisa, agora vejo ele dando uns passinhos e engatinhando. É muito prazeroso.”
Ela acredita que mesmo com poucos recursos, o projeto pode acolher mais mulheres que estejam passando pelo tratamento do câncer. A iniciativa também recebe pessoas interessadas em colaborar voluntariamente, seja compartilhando conhecimentos, promovendo atividades ou dedicando tempo aos encontros.
Quem quiser participar ou contribuir pode entrar em contato com Cleide por meio de seu perfil no Instagram. “Quem quiser participar, oferecendo alguma coisa, sua doação de tempo mesmo, de estar lá, participar e acolher, é bem-vindo. É um projeto totalmente autônomo, voluntário, feito por pessoas que querem abraçar a causa e participar de coração.”














