Paracetamol e autismo: Anvisa nega vínculo e reforça segurança do uso

Ministério da Saúde reforça falta de comprovação científica


Por Agência Brasil

27/09/2025 às 13h00

Paracetamol
Foto: Divulgação

Não há registros no Brasil que relacionem o uso de paracetamol durante a gestação a casos de Transtorno do Espectro Autista (TEA). É o que informou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na quarta-feira (24). A manifestação ocorreu após declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre suposta ligação entre o analgésico e o TEA. A repercussão motivou debates em redes sociais e grupos de maternidade, com relatos de preocupação e culpa entre mães de crianças com diagnóstico de autismo.

Estudante de Farmácia e mãe de uma criança com TEA nível dois de suporte, Rayanne Rodrigues destacou o impacto da circulação de informações não verificadas. “Nós, como mães atípicas, ficamos preocupadas com o tamanho da desinformação que é repassada para frente. Uma mulher grávida já não tem um leque assim muito grande de medicamentos que pode ser tomado durante a gestação”, afirmou.

“Não é o meu caso, mas tem muitas mães que se culpam pelo filho ter o transtorno, ficam se perguntando o que elas fizeram de errado na gestação. E aí vem uma situação dessa e acaba culpabilizando mais ainda a mãe, sendo que nós não temos culpa. Vários fatores podem ocasionar o autismo”, completou Rayanne.

Para orientar a população, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), publicou mensagem nas redes sociais reforçando a ausência de comprovação científica:
“O Tylenol é causa do autismo? Mentira! Não existe nenhum estudo que comprove uma relação entre o paracetamol e o Tylenol com o autismo. Esse tipo de mentira coloca a sua vida e a vida do seu bebê em risco. A Organização Mundial de Saúde, a Anvisa, as principais agências internacionais de proteção à saúde, já deixaram claro: o paracetamol é medicação segura. Aliás, o autismo foi diagnosticado e identificado muito antes de existir paracetamol.”

Repercussão internacional

Após a fala de Trump, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que “atualmente não há evidências científicas conclusivas que confirmem” a ligação entre uso de paracetamol na gravidez e TEA, ressaltando que estudos existentes não encontraram associação consistente. A Agência de Medicamentos da União Europeia declarou que “atualmente não há novas evidências que exijam alterações nas recomendações atuais de uso” do fármaco.

Nos Estados Unidos, a FDA informou ter iniciado processo para modificar a bula do paracetamol no país e emitiu alerta a profissionais de saúde. No Brasil, a Anvisa mantém o analgésico em questão classificado como medicamento de baixo risco, integrante da lista de isentos de prescrição, e afirma que a liberação de medicamentos segue “critérios técnicos e científicos rigorosos” para assegurar qualidade, segurança e eficácia. A agência acrescenta que esses produtos são submetidos a monitoramento contínuo.

Texto reescrito com o auxílio do Chat GPT e revisado por nossa equipe

Tópicos: anvisa / autismo / paracetamol / TEA / trump