Depressão e ansiedade: como o uso de vape e cigarro podem agravar condições na adolescência? 

Estudo com mais de 60 mil jovens nos EUA associa tabagismo a transtornos mentais e prejuízos cognitivos


Por Gabriela Cupani, Agência Einstein

18/08/2025 às 12h57

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Estudo conduzido nos EUA mostra que 35% dos adolescentes fumantes possuem depressão (Foto: Pexels)

Adolescentes que utilizam cigarros eletrônicos (vape) ou convencionais apresentam maior risco de desenvolver sintomas de ansiedade e depressão. A conclusão é de um estudo publicado em julho no periódico Plos Mental Health, realizado por pesquisadores da Universidade de West Virginia, nos Estados Unidos.

De acordo com os dados, entre os fumantes de cigarro comum, 35% relataram sintomas de depressão e 38% de ansiedade. Entre usuários de cigarro eletrônico (vape), os índices foram de 36% e 40,5%. Já entre aqueles que utilizam os dois tipos, os percentuais sobem para 43,5% e 42,5%. Em contraste, os adolescentes que não fumam apresentaram taxas bem menores: 21,8% e 26,4%, respectivamente.

Os resultados se baseiam em informações coletadas de 2021 a 2023 pela National Youth Tobacco Survey, pesquisa nacional que avaliou 60 mil estudantes do ensino fundamental e médio nos EUA. O levantamento incluiu questões sobre hábitos relacionados ao tabagismo e à saúde mental.

Segundo o psiquiatra Luiz Zoldan, gerente médico do Espaço Einstein de Saúde Mental e Bem-Estar, a relevância da pesquisa está no tamanho da amostra, no enfoque específico sobre o uso de vapes e no público adolescente. Ele observa que, embora esses dispositivos sejam vistos como mais atrativos e seguros, não são inofensivos. Além da nicotina, que gera dependência, os líquidos podem conter metais pesados, compostos cancerígenos e substâncias nocivas ao sistema respiratório.

O especialista ressalta ainda que o uso frequente pode provocar inflamações pulmonares, crises de falta de ar e comprometer a capacidade física de adolescentes em fase de desenvolvimento. Outro fator de risco é a aparência moderna e os sabores adocicados dos cigarros eletrônicos, que mascaram a sensação de estar fumando, favorecendo o consumo excessivo.

O estudo aponta que, em casos de dependência, a nicotina pode afetar o desenvolvimento cerebral, prejudicar a regulação do humor e comprometer funções como memória e cognição. No entanto, os pesquisadores não analisaram os jovens ao longo do tempo, o que impede estabelecer relação de causa e efeito. “Não se sabe se o tabaco causa os sintomas ou se o uso do cigarro vem deles”, pondera Zoldan.

A pesquisa também identificou associação entre tabagismo e uso de redes sociais. Jovens que permaneciam ao menos três horas por dia conectados às plataformas apresentaram maior propensão a fumar em comparação com aqueles que não utilizavam.

*Texto reescrito com o auxílio do Chat GPT e revisado por nossa equipe

 

Tópicos: adolescência / cigarro / vape