Após anúncio de retomada, o atendimento de porta do Hospital Regional João Penido (HRJP), localizado no Bairro Grama, Região Nordeste, continua suspenso e sem previsão de reabertura. Em entrevista à Tribuna, em março, o governador de Minas Gerais, Mateus Simões, havia declarado reabrir as portas do pronto-socorro até o meio deste ano, logo após o repasse da gestão do hospital a uma organização social.
No entanto, o edital ainda está em andamento, e a publicação do resultado final está prevista somente para agosto. O edital para seleção da organização social (OS) que administrará o hospital foi publicado em dezembro de 2025, ainda no Governo Zema. O valor estimado a ser repassado pela Fhemig, atual gestora, por meio do contrato de repasse de gestão, é de R$420.441.443,68, com vigência de 60 meses.
A proposta de transferência e a publicação do certame são marcadas por manifestações contrárias ao repasse na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), pelo Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais (Sind-Saúde/MG) e por servidores e moradores do entorno da unidade de saúde situada no Bairro Grama, Zona Nordeste. A preocupação é que haja terceirização e, consequentemente, precarização dos serviços de saúde — apontamento já descartado pela Fhemig. “A unidade continuará sendo 100% pública e prestando atendimento exclusivamente pelo SUS”, garante.
Ainda durante a entrevista, Simões classificou o serviço de atendimento de urgência em Juiz de Fora como precário. “Esse, talvez, seja hoje o maior gargalo de Juiz de Fora, que é uma cidade com bom controle sanitário, bons agentes de saúde, tem uma assistência primária razoável, do padrão de Minas Gerais mesmo, mas ela tem dificuldade nessas portas de urgência. Por isso eu acho que a gente precisava avançar na reabertura da porta de urgência do João Penido”, declarou. Procurada pela Tribuna, a Prefeitura de Juiz de Fora informou que não iria se manifestar sobre a declaração.
“Queremos melhorias na saúde”, diz morador do Grama
Membro da comissão de moradores que luta pela retomada do atendimento de porta, Laurindo Rodrigues afirma que a suspensão do serviço completa 12 anos em 2026. Anteriormente, como conta, havia atendimento clínico geral e pediátrico por 24 horas. “O paciente já consultava ali e, havendo necessidade de internação, era atendido dentro do hospital. Tínhamos um atendimento muito bom.”
Atualmente, quando um morador da região precisa do atendimento de urgência e emergência tem de se deslocar por cerca de 20 quilômetros para conseguir. “Isso causou muito transtorno para a população da região. Na pandemia, foi pior ainda, pessoas doentes com Covid tinham que atravessar a cidade de ônibus, ou ainda pedir táxi e carro de aplicativo”, relembra. “Enquanto comunidade, queremos melhorias na saúde. Gostaríamos muito que o governador assinasse a reabertura”, afirma Rodrigues.
Cronograma atualizado 13 vezes desde publicação
Em janeiro, o edital de seleção pública passou para a fase de julgamento, na qual foi divulgado o recebimento de seis propostas de gestão por organizações sociais. Após análise, o Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus ficou em primeiro lugar na seleção com a obtenção de 97 pontos. A classificação foi seguida pelo Centro de Estudos e Pesquisas Doutor João Amorim (95), Hospital São Vicente de Paulo (92) e Fundação Benjamin Guimarães (75), enquanto dois proponentes foram eliminados.
Conforme último aviso publicado no dia 28 de maio, o prazo de análise e julgamento das propostas foi mais uma vez prorrogado — o cronograma foi atualizado 13 vezes desde a sua publicação em dezembro de 2025. A última atualização prevê que a aprovação oficial e definitiva do resultado do processo deve ser divulgada até o dia 22 de junho. Seguindo para a etapa de convocação (a última do edital), a celebração do Contrato de Gestão é a única data prevista, marcada para o dia 21 de agosto.
Parceria aumentará oferta de serviços de saúde, afirma Fhemig
Em nota, a Fhemig declara que o processo de seleção da Organização Social (OS) para a celebração de contrato de gestão no Hospital Regional João Penido (HRJP) está em andamento. Conforme afirma, as etapas previstas no edital estão sendo “rigorosamente cumpridas, em conformidade com os trâmites legais e administrativos estabelecidos para garantir transparência e regularidade ao processo”.
De acordo com a fundação, a parceria permitirá expandir a oferta de serviços para Juiz de Fora e para outros 94 municípios da macrorregião Sudeste, alcançando 220 leitos com a abertura do pronto atendimento. Também prevê a implantação da Unidade de Queimados, a criação de um centro de cuidados prolongados e o acompanhamento especializado de crianças traqueostomizadas.
“O modelo possibilita maior agilidade na aquisição de insumos e na manutenção de equipamentos, recomposição mais rápida das equipes, adoção de tecnologias de saúde digital e a implementação de processos modernos e fluxos assistenciais mais ágeis e resolutivos”, complementa.

