Governador de Minas anuncia reabertura do pronto-socorro do João Penido e investimentos em Juiz de Fora

Em entrevista exclusiva à Tribuna, Mateus Simões detalhou reforço na rede hospitalar, aporte à oncologia e obras no Distrito Industrial II


Por Mariana Souza*

05/04/2026 às 06h00

Em agenda em Juiz de Fora, Mateus Simões apresentou ações do Governo de Minas para o João Penido, a saúde em JF e o Distrito Industrial II.
Com investimento de R$ 3,3 milhões,  Cepilac foi implantado em prédio readequado do ILCT e passa a reunir ensino, pesquisa e tecnologia voltados ao leite e derivados (Foto: Dirceu Aurelio)

No início da gestão à frente do Governo de Minas, Mateus Simões (PSD) esteve nesta semana na Zona da Mata para agendas institucionais e para participar, em Ubá, do projeto Governo Presente, que transfere simbolicamente a capital mineira para cidades do interior. Foi a primeira visita do governador à região desde que assumiu o cargo, após a saída de Romeu Zema (Novo) para disputar a Presidência da República.

Em Juiz de Fora, na última quarta-feira (1º), Simões participou da inauguração do Centro de Ensino, Pesquisa e Inovação em Lácteos (Cepilac), do Instituto de Laticínios Cândido Tostes (ILCT). Em entrevista exclusiva à Rede Tribuna de Comunicação, anunciou a ampliação de leitos e a retomada do pronto-socorro no João Penido, a entrega de um acelerador nuclear para a Ascomcer e o investimento de R$ 14 milhões no Distrito Industrial II.

Tribuna: Durante o período de chuvas, foram instaladas salas de situação da Secretaria de Estado de Saúde na regional de Juiz de Fora. Após esse período, como o Estado tem acompanhado a situação da saúde no município e quais são as principais frentes de atuação?

Mateus Simões: “Nós temos um desafio em Juiz de Fora, especificamente para além da questão do monitoramento. O dinheiro chegou em bom tempo, mas a gente tem uma precarização do serviço de urgência em Juiz de Fora. Hoje, a gente trabalha muito próximo do Samu, que está funcionando bem, mas, na hora que você chega no hospital, a gente tem um problema. O pronto-socorro está num prédio muito antigo, a gente tem essa discussão com a Prefeitura Municipal de dar o dinheiro para construir um pronto-socorro novo no imóvel onde seria o (Hospital) Regional e que não vai ser utilizado.

Mas, enquanto a Prefeitura não consegue avançar com esse projeto, nós, para atuar nessa porta de entrada da saúde em Juiz de Fora, estamos reabrindo o pronto-socorro, o pronto-atendimento do João Penido. Nós vamos ampliar 80 leitos no hospital e reabrir o pronto-atendimento para que as pessoas possam voltar a buscar atendimento direto ali. Então, esse, talvez, seja hoje o maior gargalo de Juiz de Fora, que é uma cidade com bom controle sanitário, bons agentes de saúde, tem uma assistência primária razoável, do padrão de Minas Gerais mesmo, mas ela tem dificuldade nessas portas de urgência. Por isso que eu acho que a gente precisava avançar na reabertura da porta de urgência do João Penido.

Quanto ao prazo, João Penido deve estar com o PA aberto no meio do ano, e as obras de expansão devem durar um pouco mais.

Eu acredito que, para o final do ano que vem, a gente já esteja com os 80 leitos adicionais 100% operando. Isso é um investimento de mais de 50 milhões de reais que o Estado está fazendo no João Penido para viabilizar essas ampliações. Eu fico muito feliz porque é um hospital querido pela população da Zona da Mata e que tem condição de atender melhor a população.

Agora que a gente finalmente colocou isso sob a administração de uma organização social. Então, nós estamos falando de pronto-socorro para o meio do ano e de novos leitos para o ano que vem.”

Por que o Estado decidiu repartir o pacote de investimentos da saúde entre Juiz de Fora e os demais municípios da Zona da Mata, e de que forma essa estratégia ajuda a desafogar a rede da cidade?

“O que eu poderia chamar de interior da Zona da Mata, ou seja, a Zona da Mata fora de Juiz de Fora, tem uma demanda de atenção primária, enquanto Juiz de Fora tem um estrangulamento da porta de urgência. A Zona da Mata tem algumas características próprias, por isso que a gente tem insistido tanto em investir nessas cidades. Algumas pessoas me perguntaram por que, do pacote que a gente anunciou no ano passado de 300 milhões de reais, 150 estavam indo para Juiz de Fora, mas 150 estavam ficando para as outras cidades. Falei que isso é bom para Juiz de Fora porque eu mantenho esse paciente perto da casa dele. Quando ele tem que ir para Juiz de Fora, é ruim para Juiz de Fora e é ruim para o paciente, é ruim para todo mundo.”

O senhor anunciou a entrega de um acelerador nuclear, no valor de R$ 15 milhões, para a Ascomcer de Juiz de Fora, o que essa entrega representa para o tratamento oncológico na cidade e o atendimento aos pacientes da região?

“Eu fiquei muito feliz de poder anunciar os R$ 15 milhões para a aquisição de um acelerador linear, que é aquele equipamento de radioterapia. A Ascomcer vai ter o acelerador nuclear mais moderno do estado de Minas Gerais. Então, é o que é a ponta da tecnologia em termos de tratamento de câncer, tratamento radioterápico de câncer, vai estar disponível para a população de Juiz de Fora e do entorno. 

É um investimento com dinheiro já liberado. A gente imagina que até o meio do ano, o equipamento esteja já em funcionamento, que a obra física já foi toda feita. Nós estamos falando agora de colocar, mas não é um equipamento que você liga, chega lá e liga na tomada. Ele é um pouco mais complexo do que isso.

Ele gasta algumas semanas para poder ser configurado. Isso vai mexer na velocidade e qualidade do tratamento dos pacientes de câncer radiológico. Então, ele deve aumentar a capacidade de 20% do tratamento radioterápico de Juiz de Fora, que é o nosso maior polo radioterápico não só da Zona da Mata, em toda essa região do sudeste mineiro, é o maior polo, é Juiz de Fora.”

Em fevereiro, o senhor anunciou investimento de R$ 14 milhões na revitalização do Distrito Industrial II, em Juiz de Fora. Qual é o cronograma das obras e há previsão de novos investimentos para a área?

Foi uma semana antes da chuva, parece que é um azar enorme. A gente teve um agravamento da situação do Distrito durante as chuvas. Então, algumas áreas que a gente pretendia reformar estão piores agora do que estavam naquele momento. Mas o dinheiro continua à disposição.

A gente vai precisar da colaboração da Prefeitura para fazer essas obras, mas eu não estou apertando com o cronograma nesse momento, porque a Prefeitura está num momento muito difícil ainda, de acabar de limpar as regiões que tiveram deslizamento, que não é só a questão das casas, nós tivemos muita rua obstruída. Então, a Prefeitura ainda está com uma situação complexa.

Mas, como as obras só podem começar no período seco, a minha expectativa é que a gente possa já agora, no período seco, começar as obras de revitalização da infraestrutura do Distrito, porque o Distrito Industrial de Juiz de Fora é muito importante regionalmente, e a expansão do Distrito é um dos caminhos que Juiz de Fora tem para seguir, se pretende continuar recuperando a sua posição industrial.

Eu até acho que as universidades têm hoje um papel talvez mais importante do que a indústria em Juiz de Fora. Eu acho que a economia do futuro para Juiz de Fora é uma economia do conhecimento. Por isso até que o Estado fez um investimento enorme no Instituto Cândido Tostes, eu até estive visitando as novas instalações, os laboratórios e salas de aula ontem de manhã.

Mas o Distrito é parte importante disso. A Cândido Tostes está ali, e eu preciso do laticínio para fazer agora o desenvolvimento do queijo. E assim com cada uma das coisas que a gente desenvolve nas universidades. Mas não é suficiente. A gente precisa fazer outros investimentos para além do Distrito em Juiz de Fora.”

*Estagiária sob supervisão do editor Paulo Cesar Magella