Você sabe o que é sarcobesidade? Entenda como ela afeta o envelhecimento saudável

Condição que associa obesidade e perda muscular preocupa especialistas e demanda estratégias integradas


Por Fernanda Bassette, Agência Einstein

01/08/2025 às 08h47

A sarcobesidade, condição que combina sarcopenia (perda de massa e força muscular) e obesidade, tem se tornado uma preocupação crescente diante do envelhecimento populacional. Caracterizada pela coexistência de dois fatores que comprometem a saúde metabólica e funcional dos idosos, a condição ainda carece de critérios diagnósticos padronizados e exige abordagens terapêuticas multifatoriais.

A fim de investigar medidas eficazes para prevenção e tratamento da sarcobesidade, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, realizaram uma revisão científica sobre o tema. A pesquisa foi conduzida pela nutricionista Gabriela Ortiz, vinculada ao Laboratório de Fisiologia do Exercício e Metabolismo da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP/USP), e publicada na revista Ageing Research Reviews.

O estudo destaca que a sarcobesidade potencializa riscos já associados individualmente à obesidade e à sarcopenia, como diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares, quedas, fraturas e perda de autonomia. Segundo o nutrólogo Diogo Toledo, do Hospital Israelita Albert Einstein, a massa muscular é essencial para o equilíbrio metabólico, pois contribui para o gasto energético, a produção hormonal e o fortalecimento do sistema imunológico.

Entre os principais caminhos terapêuticos apontados pela pesquisa estão a suplementação de taurina, a modulação da microbiota intestinal e a prática regular de exercícios físicos. Embora promissoras, as estratégias ainda requerem mais evidências clínicas.

A taurina, aminoácido presente em tecidos como músculos, coração e retina, é produzida em pequena quantidade pelo organismo e obtida principalmente por meio de carnes, peixes e laticínios. Com o envelhecimento, seus níveis tendem a diminuir. Estudos iniciais indicam que a suplementação, geralmente entre 1,5 g e 3 g ao dia, pode reduzir processos inflamatórios, minimizar o catabolismo muscular e proteger contra danos oxidativos. No entanto, os dados disponíveis ainda são, em sua maioria, derivados de modelos animais e experimentos laboratoriais, sendo necessária a realização de ensaios clínicos controlados com idosos.

Outro ponto de destaque é o papel da microbiota intestinal, que sofre alterações com o avanço da idade, resultando em menor diversidade de bactérias benéficas e maior inflamação crônica. Essa disbiose afeta a absorção de nutrientes e a síntese proteica. A modulação da microbiota, por meio de uma alimentação rica em fibras, prebióticos e probióticos, pode auxiliar na melhora da saúde muscular e metabólica.

A prática de atividade física completa o tripé de ações propostas. Segundo Ortiz, o treinamento de força, realizado de duas a três vezes por semana com intensidade moderada a alta e supervisão adequada, contribui diretamente para o ganho de massa muscular. Já os exercícios aeróbicos auxiliam na redução da gordura corporal, melhora da função cardiovascular e aumento da sensibilidade à insulina. A combinação de ambos tem apresentado resultados mais eficazes.

Para os especialistas, a sarcobesidade deve ser enfrentada com estratégias integradas que envolvam dieta equilibrada, exercício físico, suporte clínico e acompanhamento individualizado. “As ações combinadas são mais eficazes na promoção de um envelhecimento saudável”, avalia Toledo. “Tratar a perda muscular e os desequilíbrios metabólicos de forma sistêmica é essencial para preservar a qualidade de vida dos idosos”, complementa Ortiz.

*Texto reescrito com o auxílio do Chat GPT e revisado por nossa equipe