Referência de Juiz de Fora e região, Viviany Anderson reforça importância da corrida e cobra premiação em dinheiro nas provas
Atleta multicampeã e educadora física foi a entrevistada do Dá Jogo nesta semana
Reconhecida internacionalmente pelas conquistas nas corridas de rua, Viviany Anderson tem uma nova meta traçada: voltar a competir em provas de longa distância – mais especificamente, uma meia maratona. A carreira da atleta é recheada de conquistas: medalha de bronze no Pan-americano de 1999, no Canadá; quinta e quarta colocada na São Silvestre de 1996 e 1997, respectivamente; entre outras. Isso sem falar nas corridas nos EUA, na Alemanha, na Hungria e na Espanha.
Em entrevista no Dá Jogo, nesta quarta-feira (26), ao vivo no YouTube da Tribuna, Viviany falou sobre sua trajetória, participação em projetos sociais e opinou sobre temas que rendem debate em Juiz de Fora, como premiação em dinheiro no Ranking de Corridas de Rua. Confira alguns trechos da entrevista, que pode ser vista na íntegra no site.
Confira a entrevista na íntegra
Tribuna de Minas: acompanhando suas redes sociais, você dá dicas para as pessoas e fala que “vida é movimento”. É mais ou menos isso que te segue?
Viviany Anderson: Com certeza. Se eu fosse uma mulher comum, normal, estaria com cabelo arrumado, maquiada. Mas como a Viviany é movimento, eu vim na correria. Já treinei, já corri, já fiz yoga e tomei um banho e vim voada para cá. O movimento é tudo e envelhecer é endurecer. Estou com 57 anos, se eu descuidar, não dou conta.
São quase 40 anos de corrida, você tem conhecimento sobre o esporte e está querendo voltar a fazer provas de longa distância – da mesma forma que você começou.
Eu falo com meus atletas: não vou correr mais meia maratona ou maratona de jeito nenhum. Até participo de algumas provinhas de 5, no máximo 10 quilômetros. Eu comecei em uma meia maratona. E eu sou muito detalhista. Participar de uma prova de meia maratona está no modismo agora. A pessoa começa a correr 5, 10 quilômetros. Um mês depois, está fazendo uma meia maratona. Isso é preocupante.
Eu sou educadora física e a gente fala que tem que ter de 1 a 2 anos de treinamento para depois entrar em uma prova de longa distância – prova de fundo, como falamos. Muita gente lesiona porque leva na brincadeira e no modismo. “Vai que dá”. Não é assim, tem que se preparar.
Conta um pouco da sua história.
Eu nasci no Monte Castelo. Com 3 anos, fui para São João del-Rei; com 17, voltei. Aos 18, eu fazia parte de uma associação da rede ferroviária. Tinha uma senhora (que eu chamo de mãe), a Amélia. Minha mãe faleceu em 2010. Falo que tenho duas mães. A Amélia falou: “Viviany, vou te colocar na meia maratona, porque você é muito agitada e tem muita resistência”. Quando ela falou o percurso, pensei: “caramba, vamos embora”.
Coloquei minha bota All-Star, sem noção nenhuma. Eu jogava bocha, queimada e futebol – e era péssima nesse último. Na minha primeira maratona, eu estava de “quarto-zagueiro”, um short largo e a bota. Eu fumava, bebia e ainda não tinha treinado. No quilômetro 8, meu pé começou a sangrar e a me machucar. Tirei a bota e fui descalça. Ainda fui a terceira colocada da categoria, a primeira entre as ferroviárias. Ganhei troféu, dinheiro, medalha.
Fiquei duas semanas sem andar direito. Na segunda semana, fui para em uma corrida Polícia Militar, acho que de 8 quilômetros. Fui a segunda colocada no geral. O professor Jefferson Viana, da UFJF, meu eterno mestre, me viu e perguntou: “de onde você é?” Eu falei: “de Juiz de Fora”. A resposta dele foi: “não pode. Como é que você chega em segundo lugar? Cortou caminho”. Mas como eu ia cortar com a moto da polícia me acompanhando?
Ali começou a minha história, porque o Jefferson me chamou para a equipe Paraibuna de Metais. Em 1987, corri três provas; em 88, já estava entre as três melhores de Minas Gerais; em 89, era a melhor do estado; em 90, parei de correr. Tomando uma cervejinha em um bar, olhei a São Silvestre e falei: “eu já estive lá, por que eu estou aqui tomando cerveja e fumando cigarro em praça?” Quebrei os cigarros, joguei no lixo e não fumei mais.
Em 1991, voltei como a melhor de Juiz de Fora e em 92 já integrava a Seleção Brasileira na Inglaterra, junto com Ronaldo da Costa, Vanderlei Cordeiro. Meu melhor tempo de meia foi 1:13:30, fiz bem. Eu tenho muita resistência, herdei isso da minha mãe e sou apaixonada com corrida. Tem 12 anos que falo que vou parar de correr, mas não consigo.
O que te fisgou na corrida?
Foi em 1995. Já tinha ido para Inglaterra, Coreia, Japão, mas em 95, quando estava na polícia. Já tinha pensado: “quando eu parar de correr, tenho que ter uma profissão, estabilidade”. O Jefferson falando que eu tinha que me dedicar, senão como ia vai fazer as duas coisas?
Aí vi que uma menina de Juiz de Fora ganhou um carro na maratona de São Paulo. Pensei: “se corro meia, consigo correr maratona”. O Jefferson falou: “agora você tem cinco, seis anos de treinamento certinho, dá para fazer uma maratona”. Tomei decisão de pedir baixa na polícia antes de formar.
Corri a maratona em 1996, fiquei em segundo e assustei todo mundo. A treinadora da vencedora falou: “você corre bem demais. Eu vou ser sua agente”. Aí ela começou a me agenciar nas provas pelo mundo inteiro. No mesmo ano, ganhei a maratona de Brasília.
Em 1997, me preparei, me concentrei bastante e ganhei a maratona quebrando o recorde em São Paulo. Em 98, de novo. Podia ter tentado o tricampeonato em 99, estava inteira, mas tinha que abandonar a prova no quilômetro 20 para representar o Brasil no Pan-Americano, no quando fui medalha de bronze na maratona, no Canadá.
Você já contou muito da sua história até fora do Brasil, do seu reconhecimento internacional. Em Juiz de Fora você também tem história, né? Já ganhou quatro vezes, por exemplo, a Corrida da Fogueira.
Acho que eu poderia até ter vencido mais vezes, mas minha carreira foi muito rápida. Na minha segunda prova, já consegui patrocínio. Aí eu não podia correr muito aqui, por causa das provas internacionais e eu não corria muito. As pessoas hoje em dia correm todo final de semana. Eu falo com meus atletas: “vai correr domingo de que vem de novo? Manda as provas aí para eu fazer o planejamento”. Mas é complicado. Eu selecionava as provas. Era uma, duas no máximo por mês. Então às vezes não dava para encarar aqui. Mas quando dava, eu vinha.
Eu falo que o ranking de Juiz de Fora é meu xodó, porque eu comecei nele. Eu comecei a engatinhar, a aprender com ele, e ele está aí até hoje.
E hoje você tem projetos sociais. Está em todas as provas da cidade levando crianças da região.
Uma briga com o meu treinador era essa: “Viviany, foca, você é muito hiperativa”. Eu era muito agitada. Em 1991, já comecei a treinar crianças e adolescentes. Em 2001, criei a Associação Atlética Viviany Anderson para ter meu CNPJ, para ter um trabalho mais organizado. Hoje em dia, estou com o Ligeirinhos, que tem 11 anos. É um projeto no Bairro Filgueiras, onde estou morando. Mudei para lá por causa do projeto.
Tenho uma parceria com a Prefeitura de Coronel Pacheco, uma associação que contrata os professores. Eu dou aula duas vezes por semana. Em Senador Côrtes, eu vou uma vez por semana. A ideia é fazer o que fizeram por mim. A corrida para adulto cresceu demais, mas para criança ainda não tanto. Tenho que sempre estar na luta.
Teve uma época que queriam cobrar das crianças a inscrição, como fazem. Só que foi uma luta, uma bandeira minha, que as crianças pudessem ter a gratuidade dos projetos sociais. Hoje em dia são 200 crianças atendidas nas corridas de rua de Juiz de Fora. A gente tem um cadastro na Secretaria de Esporte e Lazer para levá-las até a competição, porque tem crianças que não têm tênis, dinheiro para ônibus. Minha briga também é para colocar as crianças junto com os adultos, para verem os mais velhos correndo. Mas pela parte técnica deles, acharam melhor colocar no sábado.
A palavra é gratidão. Temos que ser gratos, multiplicar coisas boas que fizeram pela gente. E eu faço isso. Adulto eu treino poucos, quase não vou aos domingos. Mas no sábado, sim, quando tem prova das crianças. Eu organizo uma prova em Leopoldina, já na segunda edição.
Não são muitas provas para crianças. Eu vejo às vezes elas correndo e falo com o organizador que não pode. Olha o regulamento da Confederação Brasileira e da Mineira de Atletismo. Tem que preservar as crianças, que não podem ficar correndo 5, 7, 10 quilômetros. Tem a regra.
Hoje mesmo à tarde eu estou indo para Coronel Pacheco, treinar a criançada lá. E adultos é meia dúzia só. Não faço propaganda, quase não entro em rede social. Quando eu não estou treinando adulto, pessoal para concurso ou não estou viajando para dar treinamento para criança, eu estou cuidando de mim. Faço musculação, nado, pedalo, corro. tenho que ter um tempinho para mim.
Tem a Viviany atleta, multipremiada, mas também tem a Viviany educadora física, que participa de projetos. A corrida de rua cresceu nesses últimos anos, com a criação de equipes e até premiação. Qual a importância do esporte no geral?
A corrida cresceu demais. Quando eu comecei, eram cem, 120 pessoas. Não tinha nada de chip, era um negócio de madeira, com um ferrinho. A gente chegava e colocava um papelzinho. Teve um dia que caiu aquele negócio, misturou tudo, mas a gente já sabia quem estava em primeiro e em segundo. Cresceu demais principalmente depois da pandemia.
Nessa época, não fiquei um dia sem correr. Voltei a treinar, inclusive com bicicleta. Fui até Aparecida, em 3 dias. Eram pequenas equipes, e agora toda a cidade está bacana demais. Vou até em Tabuleiro, tem uma equipe grande sem treinador. Vou oferecer um projeto para eles.
O crescimento para o educador físico é muito bom. Eu não pude ficar na polícia, mas escolhi uma profissão que eu gosto demais e tem um leque de oportunidades. A disputa na corrida é bem sadia, porque uma vez por mês as equipes se encontram e tem uma premiação, uma festa no final do ano.
Tenho uma aluna de Coronel Pacheco que mudou muito. Olhei uma foto do ano passado e falei: “não é você, não”. O irmão dela é educador físico, passava a musculação para ela. Tem que ver ela agora. Musculação corrida, não fez cirurgia nenhuma, alimentação correta. A autoestima dela é outra. Ela me mandou uma mensagem linda, me agradecendo. Ela já emagreceu e melhorou o tempo dela, isso para a autoestima da pessoa é muito bom.
Eu falo com as crianças do meu projeto: o esporte é muito bom até para a saúde mental. Em casos de depressão, um nível de ansiedade grande, praticar esportes ajuda a controlar a parte emocional. Ele te dá força. É muito gratificante também ver pessoas mais velhas praticando. A qualidade de vida muda, independente de qual modalidade. Eu já passei pelo alto rendimento, de vez em quando ainda dou umas beliscadas no pódio, porque sou competitiva. Mas é muito bom para a cabeça da gente. Até para concurso. A pessoa estuda muito, e o esporte é para você levantar um pouquinho, respirar, sair um pouco dos estudos.
Meus alunos já estão começando a me superar, mas como treinadora fico feliz, porque alguns são pessoas que não gostavam de correr e estão com autoestima lá em cima e se superando. O esporte não é só dinheiro, eu falo com meus alunos. Chegou em primeiro ou em último, para mim tem o mesmo valor. O importante é estar aqui.
Meus menininhos, de 4, 5 anos, que acordam a mãe 4h30 para as provas. Se chegar atrasado, fica para trás. Teve pai e mãe que já vieram correndo atrás de carro. Ensino a ter disciplina, não vai aprender com o erro dos pais. Coloca para despertar uma hora antes. Eu sou bem rígida nessa parte.
Em relação às premiações nas corridas de rua de Juiz de Fora: claro que há gastos, despesas, mesmo com a parceria com a Prefeitura. Além disso, é um evento que se visa o lucro. Mas qual é o seu pensamento a respeito das premiações do, pelo menos, top 5 geral em dinheiro? Porque hoje é troféu. Então um atleta às vezes acaba deixando de participar de competições aqui e vai para outras cidades em que há premiação em dinheiro. Você acha que realmente é o que dá para fazer hoje?
Eu quase não entro em rede social. Inclusive em uma corrida no domingo passado, meu aluno falou assim: “um cara de 60 anos teve o tempo melhor que o do meu sobrinho, que ganhou”. Que coisa esquisita. Então teve um erro que não foi corrigido. E não tinha nenhum pódio. Eu falei: “pois é, sabe o que que acontece? Culpados são vocês. Se a corrida não está boa, não vai – mas o pessoal enche”.
Falei minha opinião. Recebi uma ligação enquanto treinava, achei até que era me convidar para levar as crianças para correr, mas era uma pessoa me criticando porque eu falei. Falei e vou falar mais. Antes eu era muito polêmica, brigava na rede social, agora não. A idade está me ensinando a falar um pouco menos. Mas a minha posição não muda.
Sou totalmente favorável a uma premiação em dinheiro. Você vai fazer uma competição, então tem que pensar no geral, na categoria. Tem que pensar no valor da medalha, da camisa, da inscrição. Não existe um planejamento? Então coloca uma premiação.
Há atletas do masculino e do feminino que se dedicam de verdade. Crianças e adolescentes que estão chegando, correndo e se destacando. Sem premiação, a pessoa desmotiva. Tem que olhar todos os lados. As Corridas da Fogueira que eu participei deram premiação em dinheiro. Se não desse, não ia participar.
Se eu tinha uma prova no mês com premiação boa para correr, eu ia deixar de correr para vir para cá sem premiação de dinheiro? Não, eu acho falta de respeito com os atletas de elite. Fui numa reunião e dei minha opinião. A favor do idoso, do PCD, da criança.
Teve uma reunião que eu fui, e um organizador até brincou, fingiu que ia me jogar um tênis. Ele vai saber quem é. Não voltei mais. Mesmo sem correr aqui, estou lutando pelos outros. Fica a dica para o ano que vem.
Tem um aluno meu que ia correr o ranking daqui. Eu falei: “pelo amor de Deus, você não pode correr isso. Corre a Camilo dos Santos, que é uma prova muito boa, nosso colaborador há 13 anos. Corre a da fogueira, que dá uma projeção. Agora as outras, não corre, porque você é um menino que pode subir em pódio da São Silvestre”.
Tem que ser bom para o organizador. É claro. Tem que ganhar dinheiro demais mesmo. Eu não faço corrida porque é uma estrutura, uma responsabilidade. Não sou contra o organizador ganhar, é profissão, trabalho. Mas tem que ter essa confraternização.
Antigamente as provas eram muito realizadas em bairros. Hoje tem a questão do trânsito. Há a possibilidade de antecipar o horário de largada. Você acha que é possível voltar? Porque traz um senso de comunidade e permite conhecer a cidade. Hoje, basicamente, as provas se concentram muito nos mesmos locais.
Eu acho que tinha que ter. Como tem a Corrida Fogueira, a prova tradicional. Tem provas, de um ranking de outro organizador, em montanha que pega alguns bairros, alguns distritos de Juiz de Fora. Acho que pode ter, porque se você fecha uma Avenida Brasil, uma Via São Pedro, uma Rio Branco, todo mundo reclama. Mas é um período curto, não é tão grande.
E bairro eu acho mais fácil fechar do que Centro, então eu acho que tem condições. E eu queria muito que acontecesse isso.
E agora saindo um pouco do mundo da corrida, a gente queria conhecer um pouco mais de quem é você fora desse universo.
Eu amo cachorros desde pequena. Quando morava em São João del-Rei, também gostava um pouco de gatos, mas, como sempre preferi cachorros, não consegui conciliar as duas coisas. Às vezes, há dois caminhos, mas é preciso escolher. Meu primo e minha prima também são ligados à causa animal. É algo de família: gostamos de bichos desde pequenos.
Sempre gostei de morar em locais mais afastados, onde houvesse quintal e espaço para plantar, porque também gosto muito de plantas. Nunca comprei cachorro. Todos foram resgatados ou deixados na minha porta. Atualmente, tenho nove.
Algumas pessoas dizem: “Nossa, você perde tempo com o bicho”. Eu respondo: “Você perde tempo fumando, você perde tempo bebendo”. Eu também bebo, mas pergunto: “Você perde tempo?”. A pessoa responde: “Não, eu gosto de beber”. E eu gosto de cachorro. Então, cada um na sua.
Tenho nove cachorros em casa e sempre acordo uma hora mais cedo para deixar tudo higienizado e cuidar deles antes de iniciar minhas atividades. Normalmente, dou aula às 6h ou às 6h30 e trabalho até, no máximo, 8h30 ou 9h. Depois, das 9h30 ao meio-dia, reservo um tempo para fazer yoga e cuidar das minhas coisas. Não dá para ficar apenas trabalhando.
Sou apaixonada por cachorros, mas parei nos nove. Não posso ter mais.
Antes de falar sobre corrida, preciso dizer mais duas coisas sobre a Viviane fora da educação física. Já falei dos cachorros, mas também sou mãe. Tem gente que pergunta: “Você é mãe?”. Sou mãe.
Em 2002, pensei: “Agora vou parar de correr. Não quero ser mãe”. Pensava que ficar nove meses com uma criança na barriga seria complicado. Conversei com uma colega, que também era minha vizinha, e acabei pensando na adoção. Tudo aconteceu muito rapidamente. Falei com ela na quarta-feira e, no domingo, a Lívia nasceu. Lívia Anderson, minha filha. Foi tudo muito rápido, como geralmente acontece na minha vida.
Hoje, ela está com 24 anos e não gosta de esporte. Praticou apenas até os 12 anos. Coloquei-a na natação, no judô e na corrida, mas ela não gostou. Ela gosta de música.
Quando eu morava em São João del-Rei, ainda não era da corrida nem do esporte. Era da música. Até os 16 anos, estudei no conservatório e tocava violão. Quando me mudei para Juiz de Fora, também entrei no conservatório, mas depois deixei o violão de lado.
Eu tocava violão para a minha filha dormir quando ela era pequena. Amo samba e gosto de uma cachacinha, mas não gosto de cerveja. Faço parte do Soul Love e toco caixa. Ainda estou aprendendo. Gosto muito de música e de percussão. Minha filha puxou esse lado, embora não tenha dado continuidade aos estudos. Então, tenho uma filha, nove cachorros e sou percussionista.
Mas fala um pouquinho também, da corrida especificamente, o que é variação de treino, o que você indica para quem quer começar ou que está começando a corrida.
Digo às pessoas que tenham cuidado com o vício. Tudo pode virar vício: cigarro, bebida, drogas e até a corrida. A pessoa quer participar de uma prova todo fim de semana, reclama que a inscrição está cara, mas continua correndo. É preciso ter mais calma.
Quando alguém chega até mim correndo e treinando forte demais, digo: “Espera aí, diminui. Está muito forte”. Meus atletas fazem dois treinos fortes por semana. Também há um treino longo no domingo, uma rodagem e um treino aeróbico. Não é necessário treinar forte todos os dias.
É possível se preparar para provas de 5 quilômetros até uma maratona dentro desse padrão. Não é preciso treinar forte diariamente. Certa vez, vi um rapaz e, como treinadora, precisei orientá-lo. Ele fazia todos os dias o mesmo percurso e no mesmo ritmo. Eu disse: “Você corre todos os dias no mesmo ritmo e no mesmo percurso?”. É necessário variar. É preciso fazer percursos com subidas e descidas, trechos planos e treinos mais leves.
Tenho um aluno para quem sempre digo: “Pelo amor de Deus, você pode diminuir. Diminui, diminui”. Mesmo assim, ele é o melhor da categoria acima dos 60 anos e geralmente é o primeiro colocado em Juiz de Fora e região. Isso não significa que ele treine mais do que os outros. O treinamento não depende apenas da quantidade, mas da qualidade.
Outra questão pela qual sempre brigo com ele é a musculação, que é importantíssima. A hidratação também é fundamental. Vejo pessoas correndo 10 quilômetros sem beber água.
Elas perguntam: “Como vou carregar água?”. Eu respondo: “Dê um jeito. Coloque no bolso, use uma mochila de hidratação ou deixe em algum ponto”. Não é possível correr 10 quilômetros sem beber um pouco de água. Isso pode causar problemas futuramente.
A corrida é um esporte barato? Não. Os tênis são caros. Também é preciso ter orientação nutricional, saber o que comer e beber, hidratar-se bem e distribuir corretamente os treinos.
Nunca fui a corredora que mais treinou. Quando ganhei a Maratona de São Paulo, treinava, no máximo, 120 quilômetros por semana. A Márcia chegava a 200 quilômetros e nunca me venceu em uma maratona.
Nos anos 1990, quando saí da polícia, foram oferecidos 15 carros como premiação em diferentes provas, e eu ganhei 13. Pensei: “Já que vou sair da polícia para ganhar um carro, então vou disputar qualquer corrida do Brasil que ofereça um carro à primeira brasileira”.
Havia provas em que eu chegava e as pessoas diziam: “Nossa, a Viviane chegou. Olha o carro”. Eu respondia: “Você já está me dando a posição de primeira. Obrigada, isso é motivação para mim”.
Só não ganhei dois carros. Um deles ficou com a Márcia Narloch, em uma meia maratona no Rio de Janeiro. O outro foi em uma prova de 10 quilômetros, em Brasília. Eu já havia ganhado quatro ou cinco carros, não me lembro exatamente. Em vez de me concentrar na corrida, comecei a me sabotar. Pensava: “Ela nunca ganhou o carro, eu já ganhei”. Ela terminou poucos segundos à minha frente.
Por isso, é necessário ter determinação, foco e saber escolher as provas. Não se deve correr todas as provas que aparecem. É preciso ter esse cuidado. Caso contrário, os fisioterapeutas vão gostar, porque as clínicas ficarão cheias.
Quem quiser ser assessorado por mim pode entrar em contato pelo Instagram, @viviane_anderson. Meu telefone também está disponível lá: 9 8712-3923.
Não trabalho com muitas pessoas. Atendo poucas porque preciso reservar um tempo para mim. Estou com 57 anos e preciso cuidar de mim agora. Também quero cuidar das crianças, porque não há muitas equipes voltadas para elas. Existem várias para adultos, mas poucas para o público infantil.
Quem quiser treinar comigo terá um cuidado especial, mas também precisa saber que sou brava. Chego até a dispensar clientes. Se a pessoa disser: “Quero fazer dez provas e treinar apenas duas vezes por semana”, terá que procurar outro treinador. Tenho cuidado com o corpo e com a cabeça dos meus alunos.
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