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Carro ‘só para rodar’ vale a pena? Veja os riscos antes de comprar

Oferta por preço baixo pode esconder problemas com documentação, manutenção e procedência do automóvel


Por Estadão Conteúdo

16/08/2026 às 06h00

Uma rápida pesquisa na internet é suficiente para encontrar anúncios de carros vendidos como “só para rodar”. Em geral, esses veículos são oferecidos por valores bem abaixo da tabela Fipe e da média do mercado, mas podem apresentar um problema importante: a impossibilidade de circular legalmente.

Na maioria dos casos, esses automóveis acumulam pendências como IPVA, licenciamento e multas em atraso. Em situações mais graves, também podem ser produtos de roubo, furto ou apropriação indébita. Com isso, a transferência da propriedade para o nome do comprador pode não ser possível.

O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) determina que a transferência de propriedade seja feita em até 30 dias após a compra e também exige que o licenciamento anual esteja regularizado. Circular com um veículo irregular pode resultar em multa e apreensão. Caso o automóvel tenha origem criminosa, o comprador ainda pode ser alvo de investigação por receptação.

Carro ‘só para rodar’ pode ter origem criminosa

“O suposto proprietário do veículo alegou ter negociado pelo valor de R$ 25.000 entre dinheiro em espécie e criações. Condutor e veículo foram levados à 14ª Delegacia Regional de Tauá para os procedimentos cabíveis.”

O trecho foi publicado pela Força Tática de Tauá (CE), em 2023, e relata a apreensão de um carro que havia sido alugado em 2014 e nunca foi devolvido à locadora.

Na época, a gerente da empresa era Valéria de Freitas Mendes, atualmente conhecida nas redes sociais como @valconsultoriaautomotiva. Segundo ela, o veículo valia aproximadamente R$ 80 mil, mas acabou sendo negociado como “só pra rodar” por R$ 25 mil, parte em dinheiro e parte em animais, em razão das irregularidades.

Atualmente, Mendes trabalha com consultoria automotiva e avaliação de veículos. Para ela, episódios como esse mostram os riscos envolvidos na compra de automóveis anunciados nessa condição.

“No meu ponto de vista, não vale a pena comprar um carro desses. Ainda mais hoje em dia, com a quantidade de câmeras e blitz nas ruas. Você compra um carro hoje e amanhã ele pode ser apreendido. Além disso, se o proprietário não conseguiu manter a documentação em dia, imagine como deve estar a manutenção. Se não consegue pagar o IPVA, imagine manter as revisões em dia”, afirma.

Ela também chama a atenção para a possibilidade de o veículo ter sido obtido por meio de crime.

“A maioria das pessoas que compra esse tipo de carro usa em locais isolados, como áreas rurais. É muito comum veículos serem roubados em uma região, por exemplo em São Paulo, terem a numeração adulterada e serem vendidos como ‘carro só para rodar’ em regiões mais afastadas”, explica.

Além da documentação e da procedência, as condições de segurança do veículo também devem ser observadas. Um preço abaixo do mercado pode resultar em gastos posteriores caso o automóvel não tenha recebido a manutenção necessária.

“Ao comprar um carro barato, não dá para ignorar pneus e freios. Também é imprescindível verificar se os cintos de segurança estão em pleno funcionamento”, conclui.

Como verificar se um veículo tem pendências

Antes de concluir a compra, o interessado pode consultar a situação do veículo usando a placa e o número do Renavam. No site do Detran do estado em que o automóvel está registrado, é possível verificar a existência de débitos de IPVA, licenciamento, multas e restrições administrativas.

Também é importante verificar se há registro de roubo ou furto, histórico de leilão e bloqueios judiciais ou financeiros que possam impedir a transferência de propriedade.

Caso o vendedor ou a loja se recuse a fornecer os dados necessários para essas consultas ou apresente resistência à verificação da procedência do automóvel, a situação deve ser considerada um sinal de alerta antes da negociação.

Texto reescrito com o auxílio do Chat GPT e revisado por nossa equipe