Películas funcionam como protetor solar para você e o carro

Mercado apresenta películas automotivas que garantem conforto térmico e redução da incidência dos raios solares, deixando a sua viagem muito mais agradável

Por Eduardo Valente

11/01/2018 às 07h00

Férias de janeiro é sinônimo de calor e viagens com os amigos e a família. No carro, o sol a toda exige o uso do ar-condicionado, mas, em muitos casos, apenas ele não dá conta do recado. Por isso é importante proteger os veículos com as películas automotivas. Não à toa, esta é a época do ano em que a procura pela instalação destes produtos aumenta nas lojas especializadas. O problema é que a falta de informação pode fazer você comprar gato por lebre.

Quem viaja sob o sol escaldante sabe o incômodo que é sair do carro, depois de horas na estrada, com a pele parcialmente queimada, deixando um braço com a tonalidade diferente do outro. Além de esteticamente questionável, o resultado pode vir com o agravante das dores causadas pela sensibilidade da pele. Felizmente há uma forma de resolver isso através das películas, embora seja importante esclarecer que nem todas têm esta propriedade.

Popularmente conhecidas como insulfilm (em alusão a uma das marcas mais famosas do setor), as películas são desenvolvidas com tecnologias diversas. As mais baratas melhoram a aparência do carro, inibem a ação de ladrões e, de certa forma, até criam uma barreira a mais para o sol, embora não suficiente. É como comprar óculos de sol falsificado, que pode até provocar um conforto momentâneo, embora a retina permaneça desprotegida dos raios solares. Já outras, mais caras, são desenvolvidas com proteções a mais.

(Foto: Fernando Priamo)

Proprietário de uma loja do setor em Juiz de Fora, Felipe Silvestre afirma que já existem clientes, esclarecidos, que buscam nestes produtos uma forma de reter o calor e os raios solares. “A Crystalline (da 3M) é considerada uma cinco estrelas do mercado porque rejeita até 99,9% dos raios ultravioleta e 97% dos raios infravermelhos, que são as ondas longas do sol. Esta proteção garante o conforto térmico e elimina aquela sensação de calor na pele.”

Em produtos como este, de alta performance (e consequentemente de maior custo), os benefícios vão além do conforto corporal. Toda a parte interior do automóvel se beneficia com a camada de proteção nos vidros, já que são películas que evitam o efeito estufa, causado quando o carro fica parado sob o sol, por longos períodos, e com os vidros fechados. Para bancos de couro, a película que retém os raios solares se transforma em item de primeira necessidade para garantir a vida útil do estofado. Sem contar que, sem o calor excessivo, o ar-condicionado é menos exigido, resultando em uma melhor média de consumo do combustível.

Para todos os bolsos

A Tribuna pesquisou em lojas que instalam películas automotivas em Juiz de Fora e descobriu que o custo pode variar bastante. As mais baratas, com bom resultado estético, mas sem propriedades térmicas, custam entre R$ 150 e R$ 200, enquanto as mais caras, com estes diferenciais, variam de R$ 2 mil a R$ 3 mil, incluindo o para-brisa.

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Felipe é autorizado da 3M na cidade, uma das marcas mais caras do mercado. Por esta razão, ele cativa um público que não está preocupado apenas em reduzir a visibilidade de fora para dentro do carro. Atendendo em loja própria, a Planet Film, e em concessionárias, ele explica que os condutores devem ficar atentos quando o produto anunciado é muito barato. “A diferença da visibilidade de dentro para fora do carro de uma película comum para outra de marca é muito grande, o que compromete até a própria segurança do condutor.”

Produtos fora do padrão podem gerar multa de quase R$ 200

Não é a opacidade da película que vai impedir a ação dos raios solares. Tanto é que existem marcas no mercado que oferecem películas até transparentes, mas com esta proteção térmica. E por falar na visibilidade, é bom ficar atento ao que diz a legislação. De acordo com o Conselho Nacional de Trânsito (Contran), a transmissão luminosa não pode ser inferior a 75% nos para-brisas e vidros laterais dianteiros, por serem considerados indispensáveis à dirigibilidade. Para a parte de trás do carro, incluindo as laterais, a luminosidade poderá ser restrita a até 28%.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), ainda existem abusos com relação a esta norma, que acabam contribuindo para acidentes graves. Conforme o chefe substituto do núcleo de policiamento e fiscalização da PRF em Juiz de Fora, Fernando Pettersen, usar películas fora do padrão estabelecido gera falta de atenção do condutor. “Porque ele não vai ter a noção exata de tráfego em situações com cerração ou neblina. Em um trevo, por exemplo, ele pode acabar sofrendo acidente por não conseguir enxergar a aproximação de um carro que esteja com os faróis desligados.”

No entanto, a fiscalização é um desafio. A verificação da retenção de luz no vidro é feita por um aparelho chamado medidor de transmitância, que deve ser aferido pelo Inmetro, mas não está à disposição de todas as polícias do país. Desta forma, as autoridades acabam se limitando às informações registradas no próprio vidro, que deve ter uma chancela informando o percentual aplicado na película. “A PRF não pode agir de forma subjetiva para fazer a notificação. Precisamos, neste caso, da prova material.”

Segundo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), constatado o abuso o condutor será autuado pelo artigo 230, que considera a infração grave. Além da multa de R$ 195,23, o carro é retido até a regularização.

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