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Entre cafés, cachoeiras e sabores no Caparaó Mineiro: uma rota por Espera Feliz e Alto Jequitibá

Do restaurante de comida afetiva à memória das Marias Fumaças, rota do Caparaó Mineiro abre suas diversas possibilidades


Por Fernanda Castilho

22/07/2026 às 06h00

Na rota pelo Caparaó Mineiro, o roteiro parte para Espera Feliz e segue para Alto Jequitibá, municípios vizinhos da Zona da Mata mineira separados por uma distância de apenas 38 quilômetros. Em ambas cidades, o viajante consegue se encontrar em casa entre as belezas naturais, como cachoeiras, montanhas e matas, sabores mineiros e cafés especiais. Por essas terras, além de vivenciar a cultura cafeeira e se aventurar pelo turismo ecológico, também pode conhecer os sabores e histórias da região.

As histórias fundadoras

Cada terra escreve e compartilha suas histórias fundadoras com as gerações seguintes. Como contam, o nome Espera Feliz ressoa as conquistas de caçadores pacientes e persistentes, que após dias de espera conseguiram alcançar o que buscavam. Anteriormente, no século 19, foi-lhe dado o nome de Braço do Rio, pois os dois rios que banham a cidade se encontram e se atravessam. 

Segundo os últimos dados do IBGE, hoje o município é habitado por mais de 24 mil pessoas. A principal atividade econômica de Espera Feliz segue sendo a cafeicultura, enquanto comércio, serviços, agropecuária e turismo são complementares. Em seu território de altitude elevada e clima ameno, os cafés se espalham entre sítios e pequenas propriedades rurais.

Quanto à história de Alto Jequitibá, assim como compartilhada por muitos municípios mineiros, ela está ligada à colonização e à chegada de imigrantes europeus às terras. Para essa cidade, também foi atraído, pelas altas montanhas e o clima frio, o café. No entanto, seu nome se deve não ao arbusto cafeeiro, mas à uma árvore: o Jequitibá, uma gigante encontrada em abundância na Zona da Mata mineira no século 19. Contam que ela servia de ponto de referência para os tropeiros comerciantes que ali chegavam.

Hoje, Alto Jequitibá é casa de mais de 8 mil moradores, que vivem principalmente na zona rural e têm na cafeicultura sua principal fonte de renda. Em meio às montanhas do Caparaó Mineiro, o município também se consolida como destino de turismo ecológico, reunindo cachoeiras, trilhas, cafés especiais e belas paisagens.

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Pedra Menina é uma das paisagens de Espera Feliz (Foto: Patrick Arley/ Instituto Mundu)

Sabores de Espera Feliz

A poucos metros da divisa entre Minas Gerais e Espírito Santo, em Espera Feliz, por uma estrada que leva a uma das portarias do Parque Nacional do Caparaó, encontramos o restaurante Dom José. De portas abertas há cinco anos, o espaço é comandado pelo chef Mateus Lacerda, tendo sido construído como um desejo de seu avô, o Senhor José Moreira. A herança deixada pelo patriarca da família não foi somente a terra, mas também se esparrama com o amor pelas montanhas caparoenses e pela culinária.

Entre cafés, cachoeiras e sabores no Caparaó Mineiro: uma rota por Espera Feliz e Alto Jequitibá
Chef Mateus Lacerda comanda o restaurante Dom José, em Espera Feliz (Foto: Patrick Arley/ Instituto Mundu)

Mesmo antes de se tornar chef do restaurante, Mateus já cozinhava para a família, somando uma experiência de mais de dez anos. Uma paixão e um talento despontados bem cedo, quando ainda tinha 16 anos. Certo da vontade de seguir a gastronomia como profissão, o jovem fez cursos e especializações na área, o que inclui uma passagem pela maior escola de culinária do mundo, a francesa Le Cordon Bleu.

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Papardelli é uma massa caseira preparada no Dom José (Foto: Patrick Arley/ Instituto Mundu)

Das técnicas francesas combinadas à culinária mineira e aos ingredientes locais, são criadas as experiências em cada prato do Dom José. Sua cozinha traz em seus sabores as histórias da família, as memórias e o orgulho pelo pertencimento à terra.

Dentre as delícias estão os quibes e os bolinhos de bacalhau e de arroz, e a Papardelli, uma massa caseira com molho gorgonzola, tiras de filé mignon, nozes tostadas e azeite verde. Como sobremesa, uma reinvenção do Romeu e Julieta: um sorvete de queijo coberto com uma calda de goiabada. 

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Dom José prepara uma reinvenção do Romeu e Julieta, com sorvete de queijo coberto com uma calda de goiabada (Foto: Patrick Arley/ Instituto Mundu)

Para além dos pratos, a decoração do restaurante também preenche toda a experiência com afeto e aconchego: com paredes de tijolinhos terracota, recheadas de pratos ilustrados e coloridos, plantas suspensas e grandes janelas verticais com vista para a montanha Pedra Menina, que em suas formas relembra uma menina transformada em pedra.

Um monumento às viagens e às histórias

Entre cafés, cachoeiras e sabores no Caparaó Mineiro: uma rota por Espera Feliz e Alto Jequitibá
Réplica da Maria Fumaça fica na antiga Estação de Alto Jequitibá (Foto: Patrick Arley/ Instituto Mundu) 

Como forma de preservar sua história ferroviária, Alto Jequitibá instalou uma réplica da locomotiva Maria Fumaça na antiga Estação de Jequitibá, inaugurada em 1915. O trem passava pela Estrada de Ferro Leopoldina. Com quase oito metros de comprimento, cerca de dois metros de altura e rica em detalhes, a peça foi confeccionada em ferro pelo artista plástico Márcio José Guimarães, sob encomenda da Prefeitura de Alto Jequitibá.

A réplica da locomotiva resgata a memória das origens de Alto Jequitibá, cuja história foi construída por viajantes e famílias que chegaram pela ferrovia e fincaram raízes na região. A antiga Estação de Jequitibá, que recebia os trens, hoje abriga a Biblioteca Municipal e a Casa de Cultura, com suas outras histórias e viagens.