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Quase quatro anos após criação, o que falta para o Parque Estadual Mata do Krambeck ser aberto à visitação?

Emenda de R$ 150 mil para elaboração do Plano de Manejo foi indicada, mas liberação do recurso ainda depende do Estado; IEF diz que pretende começar o projeto ainda neste ano 


Por Nayara Zanetti

19/09/2026 às 06h00

Um ano depois do anúncio de que a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), junto com o Instituto Estadual de Florestas (IEF) , seria responsável pela elaboração do Plano de Manejo do Parque Estadual Mata do Krambeck, o documento ainda não saiu do papel. A unidade de conservação, criada em outubro de 2022, permanece fechada à visitação e ainda não tem data para receber o público. De acordo com o IEF, a elaboração do plano deve ter início ainda em 2026 e a previsão é de que os trabalhos sejam concluídos em aproximadamente seis meses. 

A elaboração do documento é uma das etapas necessárias para a consolidação do parque. Pela Lei Federal 9.985/2000, que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), o Plano de Manejo deve ser elaborado em até cinco anos a partir da criação da unidade. No caso da Mata do Krambeck, o prazo se encerra em outubro de 2027. 

Mata do Krambeck
Expectativa é que Plano de Manejo seja iniciado ainda em 2026 (Foto: Felipe Couri)

Em agosto de 2025, a Tribuna noticiou que a expectativa era de que o plano fosse elaborado por meio de um convênio entre o IEF e a UFJF. Naquele momento, a minuta do acordo já havia sido finalizada e passado pelos setores jurídicos das duas instituições, mas a execução dependia da liberação de uma emenda parlamentar, encaminhada pelo deputado Noraldino Júnior (PSB), de R$ 150 mil destinada ao projeto. 

Em resposta ao jornal, o gabinete do deputado estadual informou que a indicação do recurso foi feita. A liberação, porém, ainda depende do Estado. O IEF não comentou especificamente a emenda ou as tratativas relacionadas ao recurso, alegando restrições de comunicação institucional durante o período eleitoral. No entanto, o instituto informou que mantém os procedimentos administrativos e técnicos necessários às iniciativas desenvolvidas com universidades e outras instituições públicas. 

Parque ainda não tem data para visitação 

O Plano de Manejo é um dos principais instrumentos para definir como uma unidade de conservação será protegida e utilizada. É nele que são estabelecidos o zoneamento da área, as normas para diferentes tipos de uso e as diretrizes para atividades como visitação, educação ambiental e pesquisa. No caso da Mata do Krambeck, o documento é uma etapa importante para definir as condições em que o parque poderá ser aberto ao público, embora não seja a única exigência para a visitação. 

O documento, sozinho, não representa a abertura imediata da unidade ao público. Segundo o supervisor do IEF, Dalyson Cunha, a visitação depende de um conjunto de condições, incluindo definição dos acessos, segurança, infraestrutura, proteção territorial e estabelecimento das diretrizes de uso público. No caso do Krambeck, o principal acesso está localizado em um imóvel que ainda passa por processo de regularização fundiária. 

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Documento é uma etapa importante para definir as condições em que o parque poderá ser aberto ao público (Foto: Felipe Couri)

A situação já havia sido apontada pela Tribuna em 2025. Na época, o IEF informou que o principal acesso à unidade, pela Avenida Brasil, estava relacionado à regularização do Sítio Retiro Novo, que já estava em andamento, na etapa de avaliação do imóvel e negociação direta do pagamento com os proprietários. Já o Sítio Retiro Velho, que também integra a área do parque, seguia pela via judicial, após os proprietários obterem na Justiça o direito a uma indenização do Estado pela área. 

Agora, o órgão reforça que a regularização fundiária é uma frente estratégica, mas não impede, isoladamente, o avanço das demais ações de planejamento e estruturação do parque. No entanto, o IEF também afirma que a situação do imóvel onde está localizado o principal acesso precisa ser equacionada para que a visitação ocorra de forma segura e adequada. 

Dessa forma, o parque depende do valor ser acordado e o pagamento ser feito pelo Estado, junto com o Plano de Manejo e a infraestrutura necessária, para que assim as portas sejam abertas. 

“Neste momento, ainda não é possível estabelecer uma data para o início da visitação pública”, afirma o servidor. 

Prevenção de incêndios estão entre as prioridades

Enquanto a abertura ao público não ocorre, o IEF afirma que mantém ações voltadas à proteção da área. Entre as prioridades atuais estão a prevenção e o combate a incêndios florestais, em parceria com o Corpo de Bombeiros.

De acordo com o instituto, somente em agosto deste ano foram registradas duas ocorrências de incêndio no parque. Em uma delas, foi necessário o emprego de uma aeronave para auxiliar no combate e controle do fogo. “Os episódios reforçam a importância das medidas preventivas, do monitoramento e da capacidade de resposta rápida a eventuais ocorrências.” 

O órgão também cita como frentes prioritárias a regularização fundiária, a elaboração do Plano de Manejo, a proteção territorial, a estruturação dos acessos e da infraestrutura, a sinalização e a segurança, além do monitoramento da biodiversidade, pesquisa e educação ambiental. “Esse conjunto de ações também dará suporte ao planejamento e à criação das condições necessárias para a futura abertura do Parque Estadual Mata do Krambeck ao uso público”, finaliza o supervisor. 

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