Pesquisadora da UFV participa da descoberta de duas novas espécies de peixes vampiros na Amazônia 

Candirus foram descritos por professora da Universidade Federal de Viçosa em estudo publicado na revista científica Zootaxa


Por Tribuna de Minas

16/05/2026 às 07h00

A Universidade Federal de Viçosa (UFV) colaborou com a descoberta de duas novas espécies de peixes vampiros encontradas na Amazônia. Os animais são candirus, peixes hematófagos que se alimentam de sangue e têm hábitos noturnos.

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Conhecido como peixe vampiro, candiru se alimenta de sangue nos rios da Amazônia (Foto: Divulgação UFV)

As espécies Paracanthopoma ventuarensis e Paracanthopoma jiparanaensis foram descritas pela professora Elisabeth Henschel, do Departamento de Biologia Animal da UFV, em parceria com Jonathan Baskin, do Museu Americano de História Natural, nos Estados Unidos, e Nathan Lujan, do Museu Real de Ontário, no Canadá. O artigo científico foi publicado na revista Zootaxa.

Conhecidos por relatos populares envolvendo ataques a pessoas, os candirus costumam ser observados por comunidades quando parasitam peixes pescados. Conforme Elisabeth, esses animais pertencem à família Trichomycteridae. As espécies recém-descobertas integram a subfamília Vandelliinae, que se alimenta principalmente do sangue de outros peixes. Há ainda outra subfamília cujos indivíduos consomem pele, muco e escamas.

Com cerca de 2 centímetros, as novas espécies são de áreas da Amazônia ligadas ao Rio Madeira, no Brasil, e ao Rio Orinoco, na Venezuela. Para diferenciá-las das outras 11 espécies de candirus já descritas, os pesquisadores utilizaram técnicas clássicas e modernas de taxonomia, incluindo tomografia computadorizada de alta resolução. A análise se concentrou nas estruturas do crânio e do esqueleto dos animais.

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Professora Elisabeth Henschel, do Departamento de Biologia Animal da UFV (Foto: Divulgação UFV)

Segundo Elisabeth, os ossos da cabeça dos peixes vampiros ajudam a compreender melhor o hábito alimentar desses animais. “Os candirus são os únicos vertebrados com mandíbulas que se alimentam de sangue, além dos morcegos”, ela esclarece.

As novas espécies possuem vários dentes, inclusive fora da boca, usados para se prenderem e parasitarem outros peixes, geralmente na região das brânquias, onde há acesso às artérias. “A gente hipotetiza que o grau de desenvolvimento dos dentes, de robustez desses ossos, pode variar conforme o tipo de peixe parasitado”, observa.

Os pesquisadores investigam os candirus há alguns anos e já reuniram diversos dados sobre esses animais. Os holótipos das novas espécies, exemplares usados como base para as descrições taxonômicas, vieram de coleções científicas. O material do Brasil foi coletado em 1977, enquanto o da Venezuela foi coletado em 2010.

“Podemos coletar um novo material ou fazer novas análises de materiais de coleções científicas, como no nosso caso. Quando fizemos essas novas análises, comparando com os dados que já existiam, eram diferentes de tudo o que já tínhamos visto”, afirma Elisabeth. Para a pesquisadora, o caso reforça a importância das coleções científicas como repositórios de materiais que podem servir a diferentes estudos e descobertas.

Embora os candirus já sejam conhecidos, a professora afirma que a diversidade e a ecologia desses animais ainda são pouco compreendidas. Ela destaca que ainda há muito conhecimento a ser explorado, inclusive em regiões já estudadas. Uma das espécies foi registrada em uma área relativamente preservada do Rio Orinoco, o que, segundo Elisabeth, reforça a importância desses ambientes como refúgios de biodiversidade.

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Análise se concentrou nas estruturas do crânio e do esqueleto dos animais (Foto: Divulgação UFV)

“Uma das espécies foi registrada em uma área relativamente preservada do Rio Orinoco, o que reforça o papel desses lugares como refúgios de biodiversidade e a importância de sua conservação frente a pressões ambientais, como o garimpo”, afirma.

Para Elisabeth, que já tem outras descobertas e descrições em sua trajetória acadêmica, “é satisfatório descobrir algo novo”. A pesquisadora ressalta que os esforços de preservação e restauração ambiental dependem também da identificação e do estudo da biodiversidade existente.

Texto reescrito com o auxílio do Chat GPT e revisado por nossa equipe