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Pesquisadores da região instalam sensores em vulcão na Rússia para estudar mudanças climáticas

Dados sobre temperatura e umidade do solo congelado vão ajudar a entender os efeitos do aquecimento global


Por Rafaela Lima

15/08/2026 às 07h00

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A estação instalada pela UFV em Kamchatka, na Rússia, integra uma rede de monitoramento que já possui mais de 30 pontos na Antártica e oito na Cordilheira dos Andes (Foto: Divulgação/UFV)

Pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) ampliaram a rede internacional de monitoramento dos efeitos do aquecimento global em regiões congeladas do planeta. Em expedição à Península de Kamchatka, no extremo leste da Rússia, a equipe instalou sensores para acompanhar o chamado permafrost, camada do solo que permanece congelada por longos períodos.

A expedição ocorreu entre 22 de julho e 7 de agosto e contou com os professores Márcio Francelino e Carlos Ernesto Schaefer e o doutorando Alex Pinheiro, em parceria com Ivan Alekseev, pesquisador do Instituto Ártico e Antártico Russo.

Os equipamentos foram instalados a 1.150 metros de altitude, no cume de um antigo vulcão na região de Klyuchi. A Península de Kamchatka é conhecida por concentrar mais de 300 vulcões, sendo 29 ativos, além de condições climáticas extremas.

Monitoramento do solo congelado

O permafrost permanece congelado por pelo menos dois anos consecutivos e pode sofrer alterações com o aumento das temperaturas globais. Por isso, os sensores instalados pelos pesquisadores medem continuamente a temperatura e a umidade do solo.

O acompanhamento permite entender como essas áreas respondem ao aquecimento e aprimorar as previsões sobre os efeitos das mudanças climáticas. O descongelamento do permafrost também pode liberar gases de efeito estufa armazenados no solo, contribuindo para o aquecimento da atmosfera.

A nova estação integra uma rede que já possui pontos de monitoramento no Ártico, na Antártica e na Cordilheira dos Andes. Segundo a UFV, os dados coletados pelos equipamentos são utilizados em modelos de previsão que contribuem para a elaboração de cenários sobre as mudanças climáticas.

Mais de 20 anos de pesquisa

A expansão para a Rússia dá continuidade a um trabalho desenvolvido pela UFV há mais de duas décadas. Nesse período, os pesquisadores instalaram mais de 30 pontos de monitoramento na Antártica, por meio do Programa Antártico Brasileiro (Proantar), e outros oito na Cordilheira dos Andes.

Além dos sensores, a equipe coletou amostras e perfis de solo na região de Kamchatka. Classificados como Andossolos, por sofrerem influência da atividade vulcânica, os materiais serão utilizados na pesquisa de doutorado de Alex Pinheiro, do Programa de Pós-Graduação em Ciência do Solo e Nutrição de Plantas da UFV.

*Estagiária sob a orientação da editora Carolina Leonel

 

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