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Coluna 29 07:00:00-06-2013

Por PAULO CÉSAR MAGELLA

VÃO CONVERSAR

Os militantes que ocuparam a Câmara Municipal voltam à sede do Legislativo, na segunda-feira, às 15h, para um novo encontro com o presidente da Casa, Julio Gasparette. Essa foi uma das condições para desocuparem o prédio sem o risco de qualquer retaliação, inclusive por causa de eventuais danos ao patrimônio. Gasparette explicou que vai conversar, mas quer que sejam eleitos interlocutores do movimento, a fim de facilitar a comunicação. Ele descartou a possibilidade de audiência pública, mas convidou o secretário de Transportes, Rodrigo Tortoriello, para acompanhá-lo no encontro. Na coletiva de ontem, na Escola de Governo, o prefeito Bruno Siqueira apresentou a planilha de custos das empresas e reafirmou que o processo de definição de tarifas não é um exercício pessoal do chefe do Executivo, sendo uma decisão respaldada por um conselho de transporte – só agora criado em algumas metrópoles, como São Paulo – e ainda submetido aos vereadores em audiência pública. Ele reafirmou que os números estão enxutos, só admitindo conversar sobre possíveis mudanças se o Governo federal apresentar novas desonerações.

Moralismo

O ex-prefeito Tarcísio Delgado, por meio de seu blog, classificou de voluntarismo moralista algumas ações que estão sendo registradas nas ruas. Segundo ele, a falsa esperança de salvador da pátria provocou mais danos do que vantagens para o país, e é o que está vendo agora, quando os movimentos que ocupam as ruas se dizem apolíticos. Segundo ele, o golpe militar de 1964, a eleição de Jânio Quadros para varrer o Brasil e a eleição de Fernando Collor, para acabar com os marajás, foram exemplos desse voluntarismo que terminaram em enormes fracassos.

À deriva

E prosseguiu: muita gente, a maioria, em determinado momento, acreditou e apostou naqueles voluntarismos. A falsa esperança no salvador da pátria deu no que deu. Tarcísio vê semelhança com os eventos de hoje e diz que o voluntarismo é orquestrado pela grande mídia. Aponta o julgamento do mensalão como momento semelhante e questiona ainda as posições voluntaristas do presidente do STF, Joaquim Barbosa. Os movimentos que se dizem apolíticos, embora na realidade não o sejam, de motivações difusas e múltiplas, são como a nau que vai a sabor do vento e não chega a porto algum.

Para fechar

Como ficou dois dias sem realizar reuniões ordinárias, em função da ocupação do plenário, a Câmara fará segunda-feira, dia 1º de julho, as reuniões que fecham o período de junho. Para esgotar a pauta, há a possibilidade de ter extraordinária. Ontem, pela manhã, o vereador Wanderson Castelar (PT) chegou a sugerir a realização das sessões em outro espaço. O secretário de Governo, José Sóter Figueirôa, chegou a oferecer a Escola de Governo, mas o presidente, Julio Gasparette, entendeu que as reuniões devem ser na sede do Legislativo, daí, marcou os eventos para segunda-feira.

Relatório

Um levantamento efetuado pelo Ministério Público Estadual constatou que os confrontos ocorridos em Belo Horizonte, nas imediações do Mineirão, foram desencadeados por uma minoria de manifestantes mais exaltados. O documento foi elaborado pela Comissão de Prevenção à Violência em Manifestações Populares, integrada por representantes do Ministério Público, polícias Militar e Civil, Ouvidoria Geral de Polícia, por um membro da Assembleia, outro da Defensoria Pública e por entidades de defesa dos direitos humanos.

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