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SUAS EXCELÊNCIAS

Por Tribuna

Pode ser que na leitura dos jornais de hoje já tenha sido definida a situação dos portos, cuja discussão teve momentos de acordos, brigas e intrigas, sobretudo dentro da base do Governo. Mas ficou claro, no decorrer de toda a celeuma, que o jogo particular continua acima dos interesses do país. Em ambos os lados estavam atores políticos que ficaram mais preocupados com seus grupos de poder, a ponto de trocarem críticas próprias de arquibancada. Os deputados Ronaldo Caiado e Anthony Garotinho (veja frases abaixo) foram protagonistas de um dos piores dias do Legislativo. Suas excelências, em vez da MP dos Portos, falaram das poucas virtudes de ambos.

Outro ponto, porém, é a divisão não apenas entre os partidos, mas também envolvendo as entidades sindicais. Força Sindical e CUT, que poucas vezes andaram juntas, de novo se enfrentaram, sob o discurso de defesa do trabalhador, mas com olhar distinto na implantação da matéria. O Governo diz que é hora de modernizar os portos, enquanto a oposição vê com reservas essa assertiva. Há também o forte lobby corporativista dos sindicatos dos trabalhadores nos portos que entrou em ação.

As medidas provisórias, criadas com um fim mais nobre na Gestão Itamar Franco, passaram a ser um instrumento de escape dos governos. Em vez de projetos, preferem a mão de ferro do poder, obrigando o Congresso a se digladiar em termos de matérias maldiscutidas. A premência do tempo, argumento central para as MPs, tem sido uma justificativa recorrente, que costuma produzir leis ou ações desconectadas do interesse público ou de má execução.

Trata-se, também, de uma constatação do papel do Legislativo, que há tempos deixou de ser uma casa para propor leis, tornando-se um espaço apenas para corroborar os desejos do governo de plantão.

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