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Voa Brasil vendeu 1,73% das passagens, mas apenas um grupo tem direito

Por Leticia Florenço
06/07/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Avião - Reprodução/iStock

Avião - Reprodução/iStock

O Voa Brasil, lançado oficialmente em julho de 2024 pelo Ministério de Portos e Aeroportos, surgiu com uma proposta ousada: democratizar o acesso ao transporte aéreo no país, oferecendo passagens por R$ 200 o trecho.

A meta era ambiciosa, 3 milhões de assentos à disposição da população em um ano, mas a realidade mostrou um cenário muito distante disso. Até maio de 2025, apenas 41.165 bilhetes haviam sido comercializados, o que representa míseros 1,37% do total prometido.

Queda nas vendas

Os dados mais recentes mostram uma queda contínua nas vendas, o que evidencia que o interesse ou a viabilidade do programa vem diminuindo. Em janeiro, foram vendidos 5.308 bilhetes; já em maio, esse número caiu para apenas 2.604.

A tendência aponta para uma estagnação preocupante, que levanta dúvidas sobre a efetividade e a estrutura do programa.

Acesso restrito

Um dos principais fatores para a baixa adesão é a limitação do público-alvo. Atualmente, apenas aposentados do INSS que não viajaram de avião nos últimos 12 meses podem participar. Promessas iniciais, como a inclusão de pensionistas e estudantes do Prouni, ainda não foram cumpridas.

Esse público restrito, aliado a dificuldades no acesso digital, acaba limitando o alcance da proposta. Muitos aposentados, por exemplo, não têm familiaridade com plataformas online, o que dificulta a compra das passagens.

Além disso, cerca de 70% dos aposentados vivem com apenas um salário mínimo, tornando o valor de R$ 200 ainda elevado quando se consideram outros custos da viagem, como transporte até o aeroporto, hospedagem e alimentação.

Ausência de recursos públicos

O programa opera sem verbas públicas e depende integralmente da oferta de assentos ociosos pelas companhias aéreas, preferencialmente em períodos de baixa demanda. Essa característica coloca o Voa Brasil dentro de uma lógica de livre mercado, onde as empresas só participam se for economicamente vantajoso.

Com isso, a adesão fica comprometida, pois as companhias têm liberdade total para decidir quantos assentos oferecer, em quais voos e em quais rotas. Ou seja, os bilhetes disponíveis não necessariamente atendem à demanda real dos beneficiários. Além disso, os voos podem estar em horários ou datas pouco atrativos.

Distribuição de vendas por companhia aérea

A participação das empresas aéreas também foi desigual. Segundo os dados:

  • Latam ficou com 42,6% das reservas (1.851 bilhetes em maio);
  • Gol teve 42% (mas apenas 10 bilhetes vendidos em maio, por conta de problemas técnicos);
  • Azul respondeu por 15% (743 bilhetes em maio).

A concentração das vendas em poucas rotas ou períodos específicos contribui para a limitação do impacto social do programa.

Atrasos e expectativas não cumpridas

Desde o início, o Voa Brasil enfrentou atrasos na implementação e preocupações internas no governo, especialmente por parte da Casa Civil, que temia a frustração da população com promessas não concretizadas.

O programa, idealizado ainda na gestão do ex-ministro Márcio França, foi lançado com grande expectativa, mas sofreu com problemas estruturais e pouca clareza nas regras de funcionamento.

A promessa de ampliar o programa para estudantes do Prouni ainda depende de um posicionamento do Ministério da Educação (MEC), o que revela a falta de articulação entre os órgãos governamentais.

Com público-alvo restrito, acesso digital limitado e pouca atratividade das rotas disponíveis, o programa segue sem atingir sua meta.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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