No último fim de semana, a Venezuela voltou ao centro do noticiário internacional. A intervenção dos Estados Unidos, que resultou na captura de Nicolás Maduro e em sua transferência para Nova York, onde deve responder a uma série de acusações, provocou reações imediatas em diferentes partes do mundo.
Houve celebrações, protestos e debates acalorados sobre soberania, imperialismo, justiça e os rumos políticos da América Latina. Em meio a esse cenário tenso, o país caribenho voltou a ser citado quase sempre pelos mesmos motivos.
Mas a Venezuela não se resume à crise política. Longe das manchetes, existe um patrimônio natural que impressiona até viajantes experientes. Pouca gente sabe, por exemplo, que é ali que está a cachoeira mais alta do planeta.
Venezuela tem a cachoeira mais alta do mundo que poucos conhecem
Essa cachoeira se chama Salto Ángel e supera qualquer outra em altura. São quase mil metros de queda contínua de água, um desnível tão grande que, em boa parte do trajeto, a água se transforma em névoa antes de tocar o solo.
O espetáculo acontece no sudeste da Venezuela, dentro do Parque Nacional Canaima, uma área protegida de dimensões gigantescas que faz fronteira com o Brasil e a Guiana.
A região é marcada pelos tepuis, montanhas de topo plano que parecem ilhas de pedra emergindo da floresta.
O Salto Ángel nasce no alto do Auyán-Tepuí, uma dessas formações rochosas antiquíssimas, moldadas por processos geológicos que levaram milhões de anos.
A água escorre pelo paredão vertical e despenca até a base, alimentando o rio Churún, que segue seu curso pela mata fechada.
Para os povos indígenas da região, a cachoeira sempre fez parte da paisagem e da cultura local, muito antes de ganhar fama internacional.
Maior cachoeira o mundo na Venezuela é de difícil acesso
Apesar de sua grandiosidade, o acesso nunca foi simples. Não há estradas ligando a capital venezuelana ao parque. Quem deseja chegar até lá precisa combinar voos regionais, navegação por rios e caminhadas em meio à floresta.
Em alguns trechos, pequenas embarcações enfrentam correntezas para se aproximar da base da queda. O esforço é recompensado pela vista, pelo som constante da água e pela sensação de isolamento quase absoluto.
Ver o Salto Ángel de cima é ainda mais raro. Apenas voos de helicóptero permitem alcançar o topo do tepui e observar a paisagem completa. É uma experiência restrita a poucos, o que ajuda a explicar por que a maior cachoeira do mundo segue desconhecida para tanta gente.
Em um país frequentemente lembrado por conflitos e instabilidade, a natureza permanece como um dos seus aspectos mais surpreendentes e menos comentados.






