Um fenômeno climático de grande intensidade acabou adiando, ao menos por ora, o avanço militar de navios dos Estados Unidos em direção às águas próximas da Venezuela.
Após uma semana marcada por tensões diplomáticas e demonstrações de força no Caribe, uma reviravolta inesperada, provocada pelo furacão Erin, que atingiu a categoria cinco, forçou o recuo de embarcações americanas mobilizadas para a região.
A mudança no cenário é temporária, mas acalma, ainda que momentaneamente, a crescente desconfiança entre Washington e Caracas que tem causado muita tensão em toda a América Latina, incluindo o Brasil.
Fenômeno ajuda a afastar navios americanos da Venezuela
O grupo naval dos Estados Unidos, que contava com cerca de 4.500 fuzileiros navais a bordo de três navios de assalto anfíbio, partiu da base de Norfolk, na Virgínia, com destino ao sul do Caribe no início da semana passada.
A operação, conduzida sob o comando do U.S. Southern Command, foi oficialmente apresentada como parte de uma ofensiva contra o narcotráfico internacional, mas gerou alarme entre governos latino-americanos, especialmente na Venezuela, que acusou os EUA de preparar uma intervenção armada disfarçada de missão antidrogas.
Com a aproximação do furacão Erin, que se intensificou rapidamente e passou a ameaçar a costa leste americana, o Pentágono decidiu antecipar o retorno da frota. O desembarque em Norfolk ocorreu já na manhã de terça-feira (19), um dia antes do previsto, numa tentativa de evitar os impactos do fenômeno meteorológico.
A retirada não significa o cancelamento da operação, mas sim sua suspensão temporária. Fontes ligadas à Marinha norte-americana informaram à imprensa local que há planos para retomar o deslocamento a partir do próximo domingo, caso as condições climáticas permitam.
Mesmo sem navios, EUA e Venezuela seguem em tensão
Enquanto isso, as declarações públicas de ambos os governos mantêm o tom elevado. A Casa Branca, por meio de sua porta-voz Karoline Leavitt, reafirmou que não recuará diante do que considera uma ameaça direta representada pelo regime de Nicolás Maduro.
O governo americano acusa Caracas de comandar redes de tráfico de drogas e vincula o Cartel de los Soles, recém-classificado como organização terrorista, ao alto escalão venezuelano.
Em contrapartida, o presidente Nicolás Maduro anunciou a mobilização de 4,5 milhões de milicianos no país, denunciando o que chamou de “tentativa de invasão disfarçada” por parte dos EUA.
Para ele, o furacão apenas adiou uma escalada militar que continua iminente. O episódio reforça a instabilidade na região e deixa em aberto os próximos passos dessa crise em desenvolvimento, que preocupa até mesmo o Brasil.






