A primeira vacina brasileira de dose única contra a dengue começará a chegar ao sistema público de saúde, o SUS, em janeiro de 2026.
Desenvolvida pelo Instituto Butantan, a novidade recebeu a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e marca um avanço importante no enfrentamento da doença, que segue com altos índices de transmissão no país.
A decisão abre caminho para que o imunizante entre no Programa Nacional de Imunizações (PNI) e esteja disponível na rede pública dentro de poucas semanas.
Vacina com dose única contra a dengue será finalmente distribuída no Brasil
A autorização foi concedida ontem, 8 de dezembro, após análise do dossiê de registro apresentado pelo Butantan. A vacina, chamada Butantan-DV, é aplicada em dose única, protege contra os quatro sorotipos do vírus e poderá ser usada por pessoas de 2 a 59 anos.
Com a publicação do registro, o instituto está oficialmente autorizado a produzir e distribuir o imunizante em território nacional.
O Ministério da Saúde já confirmou que a inclusão no PNI ocorrerá junto ao início da distribuição, quando também serão definidos os grupos que receberão as primeiras doses.
Além da praticidade de ser aplicada apenas uma vez, a Butantan-DV apresentou, nos estudos conduzidos pelo instituto, resultados considerados robustos.
A eficácia geral observada ficou na casa dos 74,7%, enquanto a proteção contra quadros graves ou com sinais de alerta ultrapassou 90%. Houve ainda prevenção total de hospitalizações entre os participantes vacinados.
Esses dados indicam que, mesmo quando ocorre infecção, a tendência é que a evolução seja mais branda entre as pessoas imunizadas.
Vacina nacional de dose única contra a dengue chega em momento importante
A chegada de uma vacina nacional representa um passo estratégico para o país, que tem enfrentado desafios tanto pela circulação simultânea dos quatro sorotipos quanto pela limitação de oferta de vacinas importadas.
A Qdenga, incorporada ao PNI em 2023, continua disponível, mas sua produção global não atende à demanda brasileira. Com a Butantan-DV, o governo espera ampliar a cobertura e reduzir a dependência de fornecedores externos.
Para iniciar a oferta, o instituto já mantém cerca de 1 milhão de doses prontas e pretende expandir rapidamente a produção. O planejamento prevê 25 milhões de unidades até o segundo semestre de 2026 e outras 35 milhões ao longo de 2027.
Uma parceria firmada com a empresa chinesa WuXi ajudará a ampliar a capacidade fabril.
A expectativa das autoridades de saúde é que, com maior disponibilidade de vacina e esquema simplificado, a adesão aumente e o país consiga reduzir o impacto da dengue nos próximos anos.





