O emprego de tecidos sintéticos, com destaque para o poliéster, tem despertado interesse crescente da comunidade científica diante de possíveis efeitos sobre a saúde humana. Derivado do petróleo, esse material é formado por polímeros plásticos semelhantes aos utilizados na produção de embalagens e garrafas.
Na prática, o uso dessas peças mantém a pele em contato direto com fibras artificiais, cujas características físicas e químicas podem influenciar processos biológicos do organismo.
A discussão se insere em um cenário mais amplo de atenção à saúde reprodutiva. Nas últimas décadas, pesquisas têm apontado uma queda expressiva na contagem de espermatozoides em homens em escala global, um fenômeno associado a diversos fatores, como exposição a poluentes ambientais, substâncias com ação hormonal, sedentarismo e níveis elevados de estresse.
Impacto do poliéster no corpo
Nesse cenário, a exposição contínua a materiais plásticos, inclusive por meio de roupas, passa a ser considerada um possível elemento adicional de risco.
Microplásticos e presença no organismo
- Tecidos sintéticos como o poliéster liberam microplásticos durante o uso e a lavagem.
- Essas partículas já foram detectadas no corpo humano, inclusive em sêmen, óvulos e placenta.
- Há evidências de que podem atravessar barreiras biológicas e atingir tecidos sensíveis.
Impactos na fertilidade
- Podem interferir na qualidade dos gametas e no desenvolvimento embrionário.
- Mulheres: alterações hormonais, inflamações uterinas e efeitos no desenvolvimento dos óvulos.
- Homens: redução da qualidade e da motilidade dos espermatozoides.
Mecanismos fisiológicos
- Efeito térmico: retenção de calor e umidade pelo poliéster pode prejudicar a produção de espermatozoides.
- Disruptores endócrinos: substâncias como bisfenol A (BPA) e ftalatos interferem na regulação hormonal.
Efeitos no organismo
- Associação com inflamação, estresse oxidativo e alterações metabólicas.
- Possíveis impactos nos sistemas digestivo e respiratório.
Escolha de tecido
Embora as pesquisas ainda estejam em consolidação e não comprovem uma relação causal direta em todos os casos, o conjunto de evidências já mobiliza a atenção de especialistas da área da saúde.
O ponto central de preocupação está na exposição constante e acumulada a esses materiais no cotidiano, seja por meio do vestuário, da alimentação ou do ambiente.
Nesse contexto, profissionais recomendam cautela na escolha dos tecidos utilizados no dia a dia, sobretudo aqueles que permanecem em contato prolongado com a pele, como roupas íntimas, peças de dormir e vestimentas esportivas.





