Tsunamis costumam ser difíceis de identificar enquanto se deslocam em alto mar, mas, no verão de 2025, foi possível acompanhar um deles quase em tempo real. Isso ocorreu após um terremoto de magnitude 8,8 atingir a costa leste da península de Kamchatka, na Rússia, em julho — o mais forte registrado em quase 15 anos.
O evento gerou ondas que avançaram a velocidades superiores a 644 km/h, acionando rapidamente sistemas de alerta em diversos países do Pacífico e levando milhões de pessoas a receber ordens de evacuação, incluindo 2 milhões no Japão.
Previsão de um tsunami
À medida que o tsunami avançava, seu deslocamento vertical gerou perturbações atmosféricas que interferiram nos sinais de navegação por satélite, permitindo detecção quase em tempo real. Um módulo de IA recém-integrado ao sistema Guardian da NASA possibilitou alertas automáticos, indicando 20 minutos após o tremor que as ondas avançavam rumo ao Havaí, com 30 a 40 minutos de antecedência.
O impacto foi limitado — ondas de até 1,7 metro causaram apenas inundações pontuais —, mas o episódio demonstrou que o Guardian pode identificar tsunamis antes de atingirem áreas costeiras usando apenas distúrbios nos sinais de rádio entre satélites e estações terrestres.
Técnica e análises
A detecção de tsunamis por perturbações atmosféricas tornou-se viável apenas nos anos 2020 com o sistema Guardian. A técnica identifica ondulações na ionosfera geradas pelo deslocamento da superfície do mar, que alteram sinais de navegação por satélite e revelam eventos como tsunamis, erupções ou testes nucleares.
Embora registros de 2011 no Japão e de 2022 em Tonga já tivessem sido analisados retroativamente, apenas o tsunami de Kamchatka foi acompanhado em tempo real. As boias DART seguem essenciais para modelar a propagação, mas o monitoramento atmosférico amplia a capacidade de detecção precoce, sobretudo em áreas distantes do epicentro.
A tecnologia pode melhorar previsões de altura, chegada e impacto das ondas ainda no oceano. Embora a ionosfera reaja com atraso, limitando alertas imediatos, grandes eventos podem ser detectados com antecedência útil para regiões distantes. O avanço estimula projetos internacionais, especialmente na Europa, e tende a integrar futuras estratégias globais de alerta precoce, reforçando os sistemas tradicionais.






