A reestruturação dos sistemas alimentares em escala global é vista como uma medida crucial para mitigar as crises climática e de biodiversidade, com potencial para reduzir em até 50% as emissões de gases de efeito estufa do setor, atualmente responsáveis por cerca de 30% do total mundial.
A Comissão EAT-Lancet destaca que, mesmo com a eliminação integral do uso de combustíveis fósseis, os padrões alimentares atuais ainda poderiam elevar a temperatura média do planeta acima do limite de 1,5°C definido pelo Acordo de Paris, reforçando a urgência de uma ação global integrada e imediata.
Produção de alimentos
O estudo indica que a transformação dos sistemas globais poderia gerar ganhos econômicos anuais de US$ 5 trilhões (cerca de R$ 28 trilhões), resultantes de melhorias na saúde, restauração ambiental e maior resiliência climática.
No entanto, a concretização desses benefícios depende de mudanças nos padrões de consumo, implementação urgente de políticas e realinhamento dos incentivos financeiros globais. A comissão ressalta que tais mudanças devem considerar também aspectos sociais, garantindo acesso à alimentação, condições de trabalho dignas e um ambiente saudável.
Entre as estratégias sugeridas estão a adoção de dietas baseadas em grãos integrais, frutas, verduras, legumes e oleaginosas, a preservação de dietas tradicionais e a aplicação de práticas agrícolas sustentáveis que capturem carbono, protejam habitats e melhorem a qualidade da água.
O relatório alerta que, mesmo com redução do desperdício e manejo eficiente de recursos, o sistema global só retornaria ao “espaço seguro da Terra” mediante ação imediata e coordenada de governos, empresas e sociedade. As oito soluções apresentadas oferecem um roteiro prático para garantir alimentação saudável para 10 bilhões de pessoas, promovendo saúde, justiça social e sustentabilidade ambiental.
Detalhes
O tema será central na COP30, em Belém (PA), que incluirá na Agenda de Ação o eixo “Transforming Agriculture and Food Systems”. A conferência reunirá representantes de governos, empresas, cientistas e organizações da sociedade civil para debater segurança alimentar, práticas agrícolas sustentáveis e redução do desperdício de comida.
Criada em 2019 pela organização EAT e pela revista médica The Lancet, a Comissão EAT-Lancet conta com 37 cientistas de 17 países, incluindo o Brasil. A comissão tem como objetivo estabelecer diretrizes para dietas saudáveis e sustentáveis, levando em consideração tanto os limites ambientais quanto os impactos na saúde da população.






