A Lagoa de Araruama, no Rio de Janeiro, destaca-se por suas particularidades ambientais e pela multiplicidade de usos que abriga. Com área que ultrapassa 200 km² e níveis de salinidade frequentemente superiores aos do próprio oceano, o espelho d’água sustenta desde práticas esportivas e lazer até iniciativas que associam o ambiente marinho a experiências de relaxamento e cuidado com a saúde.
Nesse contexto, ganha relevância a talassoterapia, compreendida como o uso terapêutico da água do mar, do clima litorâneo e de elementos marinhos, como lamas e algas. Trata-se de uma prática historicamente difundida e associada tanto ao aporte de minerais — entre eles iodo, magnésio e cálcio — quanto aos efeitos fisiológicos e sensoriais proporcionados pela imersão em água salgada e pela permanência em áreas costeiras.
Terapia com água salgada
Pesquisas de revisão apontam benefícios potenciais da talassoterapia para determinadas condições dermatológicas e alguns tipos de dores reumáticas, além de efeitos positivos em indicadores de bem-estar. No entanto, a literatura também ressalta a necessidade de estudos mais amplos, metodologicamente robustos e controlados para fortalecer as evidências existentes e definir parâmetros claros de aplicação.
- A permanência frequente em ambientes costeiros está associada a benefícios para a saúde física e mental.
- Atividades aquáticas regulares, como remada e stand-up paddle, estimulam o sistema cardiorrespiratório e fortalecem o core e os membros superiores.
- Essas modalidades têm sido vinculadas a melhorias no humor, na capacidade funcional e na percepção de qualidade de vida.
- A prática contínua e em grupo favorece maior adesão e contribui para efeitos positivos sustentados.
- Canoagem, caiaque e stand-up paddle configuram-se como potenciais ferramentas de promoção de saúde e bem-estar em contextos comunitários.
Pontos de atenção
O uso terapêutico de ambientes hipersalinos requer qualidade ambiental adequada. Na Lagoa de Araruama, desafios como poluição por esgoto e assoreamento ainda comprometem a água e limitam práticas recreativas ou de bem-estar sem ações de saneamento e gestão.
Mesmo assim, iniciativas inspiradas na talassoterapia conservam potencial de benefícios físicos e emocionais, desde que alinhadas a evidências científicas e ao monitoramento constante da laguna. A combinação entre atividades aquáticas regulares e políticas públicas de recuperação ambiental surge como caminho para transformar o lazer local em uma estratégia sustentável de promoção da saúde coletiva.






