O fenômeno dos “scream clubs”, ou clubes do grito, tem se expandido internacionalmente. A prática envolve encontros em espaços públicos, como parques, nos quais os participantes gritam juntos por alguns segundos, seguidos de interações sociais, incluindo risadas e abraços.
De acordo com relatos, a atividade proporciona alívio emocional e sensação de descompressão. O movimento começou a se espalhar após a pandemia e ganhou destaque em junho deste ano em Chicago, quando a marca “Scream Club” foi oficialmente registrada.
Gritar como terapia
Desde então, os clubes do grito se expandiram para diversas cidades norte-americanas, como Atlanta, Palm Beach, Austin, Seattle, Detroit, Denver e Nova York, e chegaram a centros internacionais, incluindo Londres, Lisboa, algumas cidades da Alemanha e Porto Rico. No Brasil, ainda não há registros de encontros organizados, mas a expectativa é de que a prática se espalhe futuramente.
Embora a ideia remeta à primal scream therapy desenvolvida nos anos 1970 por Arthur Janov, a atual tendência não possui objetivos clínicos. Na época, a técnica buscava liberar traumas por meio do grito, mas sem respaldo científico, sendo classificada posteriormente como pseudoterapia. Atualmente, os clubes do grito têm finalidade social e recreativa, funcionando como experiências coletivas de expressão emocional.
Aspectos psicológicos
Pesquisas em psicologia e neurociência social mostram que atividades intensas e sincronizadas, como cantar, dançar ou gritar em grupo, podem aumentar o limiar de dor, elevar o humor e estimular a liberação de endorfinas. Do ponto de vista sociológico, trata-se de efervescência coletiva, conceito de Durkheim que descreve a amplificação de emoções compartilhadas e seu papel na promoção da coesão social.
O fenômeno também possui dimensões de gênero, criando um ambiente em que normas tradicionais sobre a expressão vocal de homens e mulheres são relativizadas. No contexto do grito coletivo, a prática não é medida por desempenho ou autoridade, mas funciona como uma experiência comunitária e catártica.
O crescimento dos clubes do grito evidencia o interesse por experiências sociais intensas e a busca por alívio emocional em cenários urbanos e digitais, reforçando a relevância de atividades coletivas que estimulam interação, engajamento e bem-estar.






