Dispositivos vestíveis de saúde, como monitores de glicose, pressão arterial e frequência cardíaca, vêm ganhando espaço tanto na prática médica quanto no autocuidado. Esses aparelhos possibilitam acompanhamento constante, conexão com outros equipamentos e intervenções imediatas, contribuindo para maior adesão e eficácia nos cuidados de saúde.
No entanto, apesar dos benefícios clínicos, esses dispositivos carregam impactos ambientais relevantes. Uma pesquisa realizada pelas universidades de Chicago e Cornell analisou quatro tipos de vestíveis: monitor contínuo de glicose, monitor de pressão arterial, monitor de eletrocardiograma e adesivo de ultrassom.
Monitores de saúde e o CO₂
O estudo avaliou todo o ciclo de vida dos dispositivos, desde a extração de matérias-primas até a fabricação, transporte, uso e descarte, incluindo a energia consumida pela infraestrutura digital que os sustenta. Os resultados indicam que cada aparelho pode gerar entre 1,1 e 6,1 quilos de CO₂ equivalente.
Projetando a expansão global do uso, que deve chegar a quase dois bilhões de unidades por ano até 2050, as emissões anuais poderiam alcançar 3,4 milhões de toneladas métricas de CO₂ equivalente, valor semelhante à pegada do setor de transportes de uma grande metrópole. Placas de circuito impresso flexíveis, semicondutores e metais preciosos são os principais responsáveis por esses impactos.
Substituições sustentáveis
Cada monitor de glicose é descartado a cada 14 dias, aumentando significativamente as emissões de gases de efeito estufa. A substituição de plásticos por materiais recicláveis ou biodegradáveis trouxe reduções limitadas, de até 7,7%, enquanto mudanças em metais críticos e design modular tiveram impacto maior.
Trocar ouro por cobre, prata ou alumínio reduziu a pegada de aquecimento em até 30%, e o design modular permitiu cortes de até 62% nos impactos por uso, ao permitir a reutilização de componentes. A migração para eletricidade de fontes renováveis reduziu as emissões totais entre 44,9% e 52,1%, sem alterar significativamente ecotoxicidade e consumo de água.
O estudo aponta que a sustentabilidade dos vestíveis depende de materiais alternativos, design modular e energia limpa. Integrar engenharia de sistemas e avaliação do ciclo de vida é essencial para criar eletrônicos de saúde mais ecológicos, permitindo que continuem a melhorar o cuidado pessoal sem comprometer o meio ambiente.






