Uma reportagem exibida no último domingo pelo programa Fantástico, da TV Globo, trouxe à tona a trajetória singular do último sobrevivente de um povo indígena que viveu completamente isolado na Amazônia por cerca de 25 anos.
Conhecido nacionalmente como o “Índio do Buraco”, ele morreu em 2022, encerrando a existência de uma etnia inteira sem que sua língua, seu nome original ou seus costumes fossem plenamente conhecidos.
Último sobrevivente de um povo indígena ficou 25 anos isolado
O indígena vivia em uma área de floresta no estado de Rondônia, hoje conhecida como Terra Indígena Tanaru.
O nome Tanaru foi atribuído pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), já que não havia qualquer registro sobre como aquele povo se autodenominava.
Ele passou a ser monitorado à distância a partir dos anos 1990, quando surgiram imagens que confirmavam sua presença na região, sempre evitando qualquer tipo de contato.
Segundo a reportagem, ele era o único sobrevivente de um grupo dizimado por ataques violentos promovidos por fazendeiros e grileiros durante o avanço da ocupação da Amazônia, especialmente a partir dos anos 1980.
A expansão agropecuária, o desmatamento acelerado e a omissão do Estado contribuíram para massacres que apagaram povos inteiros do mapa. No caso de Tanaru, todos os demais membros de sua etnia foram mortos, restando apenas ele.
Indígena viveu isolado por 25 anos
Durante décadas, o indígena construiu uma rotina solitária, mudando constantemente de lugar como forma de se proteger.
Ao longo da área onde circulava, foram encontrados mais de mil buracos escavados no solo, sempre com formato semelhante ao corpo humano.
A função dessas escavações nunca foi esclarecida, mas elas se tornaram um dos principais símbolos do mistério que cercava sua vida.
Mesmo isolado, Tanaru demonstrava habilidade para sobreviver sozinho. Plantava, caçava e coletava mel.
Sempre que equipes da Funai tentavam se aproximar, ele se afastava, deixando claro que não desejava contato. Não houve registro de diálogo verbal, apenas gestos e sons usados como forma de comunicação defensiva.
Ele morreu em 2022
Em agosto de 2022, ele foi encontrado morto em sua rede, dentro de uma de suas palhoças. A causa da morte não foi determinada.
Após sua morte, a área voltou a sofrer invasões, reacendendo o debate sobre o futuro do território. O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal, que deve decidir se a terra será permanentemente protegida.
Especialistas e lideranças indígenas defendem que a região seja preservada como um marco histórico.
Para eles, a história do último sobrevivente não representa apenas uma vida isolada, mas o retrato de um genocídio silencioso e a urgência de proteger os povos indígenas que ainda resistem no país.






