Nos últimos três meses, o Supremo Tribunal Federal (STF) foi alvo de uma quantidade de 752 milhões de tentativas de invasão ao seu site e sistemas eletrônicos.
O número, revelado pela própria Corte, escancara o nível de exposição e vulnerabilidade a que instituições públicas estão submetidas em tempos de guerra cibernética constante.
Desde o início de 2025, os ataques ao STF não deram trégua. Foram registrados ataques cibernéticos diariamente, sem pausa, evidência de que há uma campanha contínua de tentativa de fragilizar a infraestrutura digital do mais alto tribunal do país.
A Corte, por sua vez, tem resistido graças a sistemas de defesa digital que impedem que essas investidas tenham êxito.
Picos preocupantes
Embora os ataques ocorram diariamente, alguns dias se destacam pela intensidade.
- Em 5 de março, foram mais de 100 milhões de tentativas de acesso malicioso em apenas 24 horas.
- Dois dias depois, o número ultrapassou os 60 milhões.
- Em 8 de abril, novamente, mais de 60 milhões de ataques foram detectados.
- No mês de julho, embora com menor volume, o dia 3 chegou perto de 40 milhões.
Esses picos acontecem de forma aparentemente aleatória, sem ligação direta com julgamentos sensíveis ou decisões do plenário.
Ataques automatizados
As ofensivas vêm sendo executadas majoritariamente por bots programados para acessar os sistemas simultaneamente, sobrecarregando os servidores.
Essa estratégia, chamada de ataque distribuído de negação de serviço (DDoS), visa tornar o sistema indisponível temporariamente, criando uma espécie de “apagão digital” e testando as defesas para futuras invasões mais sofisticadas.
O sistema de segurança do STF também emitiu 280 mil alertas internos de segurança desde janeiro. Esses alertas indicam comportamentos suspeitos, como ataques de força bruta (tentativas sucessivas de adivinhar senhas), detecção de malwares e tentativas de infiltração em camadas internas da rede.
Nenhuma dessas ameaças foi bem-sucedida, mas a frequência de ocorrências exige resposta imediata e permanente vigilância.
Tecnologia
O STF conta com um sistema de defesa que combina ferramentas automatizadas com atuação humana especializada. Os bloqueios são feitos por tecnologias de firewall, inteligência artificial e monitoramento contínuo, que reagem em segundos ao detectar padrões incomuns.
Quando os ataques aumentam, a equipe de segurança digital é acionada para responder com medidas adicionais, impedindo interrupções ou brechas.
Órgãos do governo, universidades, sistemas eleitorais, hospitais públicos, todos estão expostos. Os ataques ao STF não são uma exceção, mas sim um sinal claro de que a infraestrutura digital do Estado é um campo de batalha ativo e crítico.





