A tontura figura entre as queixas mais comuns na atenção primária, aparecendo em cerca de 1% a 15,5% das consultas, de acordo com estimativas populacionais.
Frequentemente, não há uma causa isolada, o que evidencia sua natureza multifatorial, envolvendo alterações vestibulares, cardiovasculares, metabólicas e, em parte dos casos, origem indeterminada.
A hipotensão ortostática é um dos principais mecanismos da tontura não rotatória, podendo responder por mais de 40% dos casos em algumas análises.
Ocorre quando o corpo não ajusta corretamente a pressão arterial ao mudar da posição deitada ou sentada para a posição em pé, causando queda temporária da pressão e redução do fluxo sanguíneo cerebral.
Algo mais que tontura
- Hipotensão ortostática (definição e critérios clínicos): Queda de pelo menos 20 mmHg na pressão sistólica ou 10 mmHg na diastólica nos primeiros três minutos após levantar, segundo diretrizes clínicas.
- Fatores associados: Uso de anti-hipertensivos, diuréticos e antidepressivos, além de hipovolemia por desidratação e disfunções do sistema nervoso autônomo, como diabetes e doenças neurodegenerativas.
- Resposta fisiológica e falha do mecanismo compensatório: Em condições adequadas, há aumento da frequência cardíaca e vasoconstrição para manter a pressão arterial ao mudar de posição.Quando essa adaptação não ocorre corretamente, surgem sintomas como visão turva, fraqueza, suor frio e sensação de desmaio iminente.
- Desidratação como fator de risco: Reduz o volume de sangue circulante e dificulta a manutenção da pressão ao ficar em pé, podendo ocorrer após calor intenso, febre, vômitos, diarreia ou baixa ingestão de líquidos.
- Alterações do sistema vestibular (ouvido interno): Podem causar tontura em forma de vertigem, com sensação de giro, náusea e instabilidade. As condições vestibulares mais comuns são vertigem posicional paroxística benigna, neurite vestibular e doença de Ménière.
Distinção e prevenção
A diferenciação clínica é essencial. Episódios breves de tontura que melhoram ao sentar costumam indicar queda de pressão, enquanto vertigem com náusea e piora ao mover a cabeça sugere origem vestibular.
Sinais como desmaio, dor no peito, falta de ar ou alterações neurológicas exigem avaliação imediata.
Como medidas preventivas, recomendam-se hidratação adequada, mudanças mais lentas de posição e revisão de medicamentos que possam interferir na pressão arterial.
Nos casos em que os sintomas se repetem ou surgem sinais de gravidade, a investigação médica torna-se necessária.





