A saliva já é usada em exames como Covid-19, HIV, hormônios e testes genéticos, por ser um método simples, rápido e não invasivo. Pesquisas indicam que seu uso pode se ampliar para detecção de diversas doenças e condições, em alguns casos em poucos minutos, segundo instituições como o National Institute of Dental and Craniofacial Research (NIDCR), ligado aos National Institutes of Health dos Estados Unidos.
Seu potencial está ligado à presença de diversas moléculas, como proteínas, DNA, RNA, metabólitos, anticorpos, exossomos e microrganismos, o que permite refletir parte do funcionamento do organismo.
Esse conjunto de dados sustenta a chamada metabolômica salivar, área que analisa essas substâncias para identificar alterações associadas a diferentes estados de saúde e doença.
Revelações da saliva
Conceito emergente
- “Impressão digital salivar”: perfil químico individual
- Varia ao longo do tempo
- Reflete genética, estilo de vida, alimentação, estresse e doenças
- Potencial para monitoramento contínuo e detecção precoce de alterações clínicas
Vantagens da saliva como biomarcador
- Coleta simples e não invasiva
- Baixo custo
- Pode ser repetida com facilidade
- Útil em crianças, idosos e populações sensíveis
- Possui informações do sangue, da boca e do ambiente
Aplicações clínicas já observadas
- Odontologia: cáries e doenças bucais com assinaturas metabólicas identificáveis
- Doenças sistêmicas: diabetes; doenças cardiovasculares; insuficiência renal; cânceres diversos
- Doenças neurodegenerativas (em estudo): Alzheimer e Parkinson
Evidências específicas em pesquisa
- Alzheimer: alterações em beta-amiloide 42, proteína tau e lactoferrina
- Câncer de pulmão: painéis de marcadores salivares e microRNAs com bom desempenho em testes de triagem
Limitações
Apesar dos avanços, a análise da saliva ainda tem limitações. Sua composição varia ao longo do dia e pode ser afetada por alimentação, hidratação, medicamentos e higiene bucal.
A presença de microrganismos e a baixa concentração de algumas moléculas também dificultam a análise, exigindo técnicas mais sensíveis e padronização.
Ainda são necessários estudos de longo prazo para diferenciar variações naturais de sinais de doenças. Por isso, a saliva não substitui exames de sangue, mas é considerada complementar.
A expectativa é que, com avanços tecnológicos, ela passe a integrar a medicina de precisão para triagem, monitoramento e diagnósticos mais personalizados.





