Depois de mais de cem anos fechado para o banho devido à poluição, o Rio Sena voltou a receber nadadores em Paris neste fim de semana.
A reabertura acontece em meio a uma forte onda de calor que atinge a Europa em julho, o que incentivou moradores e turistas a aproveitarem as águas do famoso rio pela primeira vez desde 1923.
Rio Sena, em Paris, é reaberto após um século interditado
A liberação para o público marca um momento simbólico para a capital francesa, coroando décadas de esforços para recuperar a qualidade da água. Durante o último sábado (5), centenas de pessoas foram às margens do Rio Sena nas áreas recém-designadas para natação.
As estruturas instaladas incluem vestiários, chuveiros e espaços ao estilo de praias urbanas, com capacidade para acomodar até 300 pessoas em cada ponto.
As zonas abertas ao banho estão distribuídas em locais estratégicos da cidade: uma próxima à Torre Eiffel, outra nas imediações da Catedral de Notre Dame e uma terceira na parte leste da capital.
A interdição, que vigorou por um século, teve origem nos altos índices de contaminação das águas por esgoto e resíduos urbanos, tornando o banho arriscado à saúde. Nadar no Rio Sena se tornou símbolo de imprudência, proibido por lei e socialmente desencorajado.
A reversão dessa realidade exigiu um esforço prolongado e investimentos massivos. Desde os anos 2000, a cidade de Paris intensificou ações de saneamento e controle de poluição, culminando em um projeto ambicioso de recuperação do rio.
Rio Sena deveria ter sido aberto nas Olímpiadas do ano passado
A grande virada veio com os Jogos Olímpicos de Paris 2024, que impulsionaram um investimento de mais de 1,4 bilhão de euros em obras para despoluir o Rio Sena. O objetivo era claro: permitir que as provas de triatlo e maratona aquática ocorressem no coração da cidade.
No entanto, a tentativa de uso esportivo das águas no ano passado foi frustrada. Chuvas intensas elevaram os níveis de contaminação às vésperas das competições, fazendo com que os testes de qualidade não fossem superados. O episódio gerou dúvidas sobre a viabilidade da reabertura.
Mesmo assim, autoridades mantiveram o plano e garantiram que, após ajustes no sistema de drenagem e novas análises, a situação estava sob controle.
Agora, com a liberação definitiva e o calor recorde incentivando a população a se refrescar, o retorno da natação no Sena representa não apenas um alívio para os parisienses, mas um marco ambiental para a cidade.






