O encerramento de 2025 foi marcado pela antecipação e ampliação do pagamento de dividendos por empresas brasileiras, em reação à mudança tributária prevista para 2026, que passará a taxar lucros e dividendos de contribuintes de alta renda. O movimento resultou em dividend yields elevados, em alguns casos atípicos.
Fora do Ibovespa, a distribuição foi impulsionada por eventos pontuais, como venda de ativos e reestruturações, levando alguns papéis a registrar retornos superiores a 30% no ano, patamar considerado excepcional e pouco recorrente.
Retrospectiva dos dividendos
No grupo das maiores pagadoras listadas no principal índice da Bolsa, predominou o comportamento esperado de empresas com geração recorrente de caixa e modelos de negócios maduros, especialmente nos setores de energia, telecomunicações, seguros e instituições financeiras. Ainda assim, houve destaques relevantes.
- Cyrela (CYRE3): líder do ranking de dividendos em 2025, com dividend yield de 22,4%, desempenho atípico para o setor de incorporação imobiliária.
- BB Seguridade (BBSE3): retorno de dois dígitos aos acionistas, sustentado por modelo de negócios com geração recorrente de caixa.
- Itaúsa (ITSA4): manteve distribuição elevada de dividendos em 2025, refletindo sua posição como holding financeira madura.
- Bradesco (BBDC4): voltou a se destacar entre os maiores pagadores após reestruturação interna, com valorização de quase 70% das ações no ano.
- Cemig (CMIG4): figurou entre as empresas com dividend yield de dois dígitos, apoiada por receitas previsíveis do setor elétrico.
- ISA Energia (ISAE4): apresentou retorno elevado aos acionistas, sustentado por concessões de transmissão de energia.
- TIM (TIMS3): manteve posição entre as principais pagadoras, beneficiada pela estabilidade do fluxo de caixa no setor de telecomunicações.
- Marfrig (MBRF3): entrou no top 5 de 2025, com dividend yield de 16,5%. Após a incorporação da BRF, concluída em setembro, a companhia passou a operar como MBRF Global Foods Company, com payout fixado em 25% do lucro líquido ajustado. Em 12 meses, registrou lucro líquido de R$ 2,8 bilhões, ROE de 23% e valorização próxima de 30% das ações.
- Direcional (DIRR3): apareceu no ranking impulsionada pela entrega de projetos e menor necessidade de novos aportes.
- Cury (CURY): destacou-se entre as construtoras beneficiadas por políticas públicas de estímulo ao setor habitacional.
Por fim, a antecipação de dividendos em 2025 refletiu a adaptação das empresas à nova tributação, contribuindo para um comportamento atípico na distribuição de proventos ao longo do ano.





