Em praticamente todos os países do mundo, as mulheres superam os homens em expectativa de vida. Apesar de avanços na medicina e melhorias nas condições de vida terem reduzido essa diferença em alguns locais, um estudo recente sugere que ela não desaparecerá tão cedo.
A explicação, segundo cientistas, está profundamente enraizada na evolução, e se manifesta em diversas espécies, não apenas nos humanos.
O estudo que cruzou espécies e séculos
Pesquisadores do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, na Alemanha, realizaram a maior análise já feita sobre a expectativa de vida entre machos e fêmeas de mamíferos e aves.
Utilizando dados do Species360 Zoological Information Management System (ZIMS), banco global com informações de mais de 1.100 espécies, a equipe revelou padrões consistentes de longevidade ligados ao sexo.
Segundo os cientistas, fatores evolutivos, como seleção sexual, investimento parental e genética, moldam essas diferenças, que se mantêm mesmo quando variáveis ambientais mudam. Ou seja, essas diferenças são históricas, quase “programadas” pela evolução.
Cromossomos e longevidade
Entre os mamíferos, as fêmeas tendem a viver mais. Babuínos, gorilas e outros primatas confirmam essa tendência.
A explicação genética, conhecida como hipótese do sexo heterogamético, sugere que a presença de dois cromossomos X nas fêmeas oferece proteção contra mutações prejudiciais, aumentando a longevidade.
Nos mamíferos:
- Fêmeas: XX → maior proteção genética → vida mais longa
- Machos: XY → vulnerabilidade maior → vida mais curta
Nas aves, o sistema é invertido. As fêmeas possuem cromossomos ZW, enquanto os machos têm ZZ. Isso explica por que, entre 68% das espécies de aves analisadas, os machos vivem em média 5% mais que as fêmeas.
Ainda assim, há exceções, como aves de rapina, onde fêmeas maiores e mais fortes tendem a viver mais, indicando que os cromossomos são apenas parte da história.
Seleção sexual e cuidado parental
A genética se combina com estratégias reprodutivas para definir a expectativa de vida:
- Poligamia em mamíferos: A competição intensa entre machos aumenta a mortalidade masculina.
- Monogamia em aves: Expectativa de vida entre machos e fêmeas tende a se equilibrar.
- Cuidado parental: Espécies nas quais as fêmeas investem mais na prole (como primatas) tendem a viver mais, garantindo que os filhotes atinjam a idade adulta.
Esses fatores evolutivos ajudam a explicar por que as mulheres humanas, tradicionalmente mais envolvidas com cuidados familiares, apresentam maior longevidade.
Enquanto a ciência avança, fica claro que a longevidade feminina é, em grande parte, uma herança da evolução, difícil de ser alterada completamente.





