Ao abordar o tema da ergonomia, é comum associá-lo à postura corporal: endireitar a coluna ou corrigir a posição ao sentar. Porém, o conceito vai além dos aspectos físicos e alcança também o meio digital, desempenhando papel central na adaptação das condições de trabalho ao uso intensivo de tecnologias e telas, com impactos diretos sobre a saúde física e mental.
Atualmente, profissionais de diferentes áreas passam longos períodos diante de computadores, tablets e smartphones. Essa exposição prolongada tem gerado um conjunto de sintomas que, embora recorrentes, costumam ser subestimados ou confundidos com outras causas. Entre os mais comuns estão dores na coluna, pescoço e ombros, fadiga ocular, cefaleias, distúrbios do sono e sensação persistente de cansaço.
Perda de produtividade dos trabalhadores
De acordo com um levantamento conduzido pelo Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde da Fundação Getulio Vargas (FGVSaúde) e divulgado pela Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV) em 2020, mais da metade dos profissionais entrevistados relatou apresentar esses sintomas de forma frequente. Os dados demonstram de maneira clara o impacto expressivo do uso prolongado de telas sobre a saúde física e emocional no ambiente de trabalho.
A ergonomia digital, nesse contexto, extrapola a esfera da prevenção de distúrbios musculoesqueléticos. O estudo também apontou a presença de sintomas emocionais, como ansiedade, sensação de pressão constante e dificuldade de concentração, evidenciando a relação direta entre os efeitos físicos e psicológicos associados à intensificação do trabalho digital.
Ergonomia digital
Nesse cenário, a Norma Regulamentadora nº 17 (NR-17), atualizada em 2022, ganha destaque ao reconhecer a ergonomia digital como responsabilidade legal das organizações. A norma estabelece diretrizes obrigatórias para proteger trabalhadores que utilizam equipamentos informatizados de forma intensiva, incluindo pausas regulares, fornecimento de mobiliário adequado, monitoramento da saúde ocupacional e treinamentos sobre postura e pausas ativas.
Cumprir essas orientações contribui para reduzir riscos, prevenir doenças ocupacionais e promover ambientes de trabalho mais saudáveis. Além do aspecto legal, investir em ergonomia digital é também uma estratégia de gestão que favorece a produtividade e a sustentabilidade organizacional. Ajustes simples — como iluminação adequada, posicionamento correto de telas e uso de mobiliário ergonômico — ajudam a diminuir a fadiga, aumentar o engajamento e reduzir erros.





