O Brasil lidera mundialmente na reciclagem de latas de alumínio, alcançando 97% de reaproveitamento em 2024, mas apresenta desempenho muito inferior no caso de plásticos e outros materiais, com apenas 4% de reciclagem, bem abaixo da média global de 16%.
Grande parte dos resíduos produzidos termina em lixões e aterros sanitários, consequência da insuficiência de infraestrutura de coleta seletiva, do alto custo do processamento e da baixa escala de reaproveitamento. Para reverter esse cenário, o governo federal publicou, nesta segunda-feira (21), um decreto que fixa metas nacionais de reciclagem: 32% até 2026 e 50% até 2040.
Reciclagem como estratégia
No mesmo período, a meta para a reutilização de materiais em novas embalagens é elevar o índice de 22% para 40%. Essas diretrizes devem gerar pressão sobre o setor privado, que já movimenta bilhões por meio de programas de logística reversa, mas continua enfrentando desafios estruturais significativos. Companhias como Natura, Boticário, Unilever e Coca-Cola têm direcionado investimentos a projetos que integram sustentabilidade ambiental, inclusão social e viabilidade econômica.
Natura:
- Programa Natura Elos: mobiliza cooperativas e catadores para reciclagem de materiais.
- Projeto Rios Vivos: coleta de resíduos plásticos na Amazônia, transformando-os em novos produtos.
- Metas: 50% do plástico reciclado até 2030; 100% das embalagens de origem renovável ou compostável até 2050.
Boticário:
- Transforma embalagens coletadas em chapas sustentáveis para mobiliário de lojas.
- Beneficia diretamente catadores; em 2024, aumento de 74% no volume de resíduos reciclados, 80% dos beneficiados são catadores.
- Meta: reciclar 45% das embalagens produzidas até 2030.
Unilever:
- Processa 115% do peso de todas as embalagens comercializadas no Brasil, superando meta de logística reversa.
- Investe em políticas públicas e projetos que garantem remuneração justa aos catadores.
- Meta: 100% das embalagens recicláveis, reaproveitáveis ou compostáveis até 2035.
Sistema Coca-Cola:
- Foco na cadeia de PET pós-consumo com iniciativas como SustentaPET e projeto Recicla Solar.
- Objetivo: neutralidade do plástico em várias regiões do país.
- Planeja novas fábricas de reciclagem na Amazônia, fortalecendo economia circular e inclusão social






