A expansão do interesse pelo matcha, chá verde em pó de origem japonesa, tem provocado uma intensa procura global e colocado pressão sobre sua cadeia produtiva. A demanda por versões premium da bebida atingiu níveis tão elevados que consumidores passaram a recorrer a serviços pagos de notificação para acompanhar a reposição do produto em tempo real.
Em muitos casos, os estoques se esgotam poucos minutos após serem disponibilizados. Impulsionado por tendências nas redes sociais, o crescimento repentino surpreendeu produtores, fabricantes e varejistas, que enfrentam dificuldades para atender ao novo ritmo do mercado.
Ascensão do produto japonês
Segundo registros oficiais do governo japonês, a produção de tencha — folha base para o matcha — atingiu aproximadamente 4.600 toneladas em 2023, volume significativamente menor em comparação a outros chás, como o sencha.
A fabricação do matcha de alta qualidade segue um processo artesanal e demorado, que exige mão de obra especializada. As folhas são colhidas à mão, cultivadas à sombra e moídas lentamente em moinhos de pedra, com rendimento bastante baixo. Essa técnica tradicional, somada à escala restrita de produção, torna o produto especialmente sensível a aumentos súbitos na demanda.
Despreparo e desafios
A escassez se intensificou no fim de 2023, quando marcas populares começaram a limitar compras, suspender temporariamente as vendas e aumentar os preços. Algumas impuseram restrições por cliente para evitar o esgotamento imediato dos estoques, mas consumidores ainda enfrentam dificuldades para adquirir pequenas latas, mesmo em sites especializados.
Embora a colheita da primavera, entre abril e maio, tenha trazido alívio momentâneo, a oferta deve seguir inferior à demanda. A maioria das fazendas é pequena, familiar e conduzida por agricultores idosos, o que dificulta a expansão da produção. Além disso, novas plantas levam cerca de cinco anos para atingir a maturação, inviabilizando uma resposta rápida do setor.
Diante da pressão comercial, o governo japonês tem incentivado a substituição de outros tipos de chá pelo matcha, mas produtores ainda hesitam em realizar investimentos significativos. O receio é de que a atual explosão de consumo, fortemente atrelada a modismos digitais, não se sustente no médio prazo.






