A Black Friday voltou a ser motivo de desconfiança entre os brasileiros em 2025, impulsionando uma nova onda de investigações conduzidas pelo Procon.
Apesar de ser considerada a maior data comercial do mundo, o evento tem acumulado críticas no país devido ao grande número de reclamações, preços que pouco representam economia e situações que configuram possível golpe ou propaganda enganosa.
Dessa vez, a explosão de queixas chamou a atenção das autoridades, que passaram a atuar de forma mais rigorosa para identificar irregularidades e proteger o consumidor.
Irregularidades se tornam comuns e acendem o alerta das autoridades
Durante o plantão especial da Black Friday, diversas cidades brasileiras registraram problemas parecidos, confirmando um padrão preocupante. Em João Pessoa, por exemplo, nove estabelecimentos foram autuados após fiscalizações do Procon local.
Entre as irregularidades encontradas estavam a ausência do preço histórico dos últimos 90 dias, descontos que não correspondiam ao anunciado e promoções que, na prática, ofereciam o mesmo valor do preço original.
Esse tipo de prática, amplamente criticada como “Black Fraude”, continuou alimentando a desconfiança dos consumidores e viralizando nas redes sociais.
Reclamações no Procon-SP revelam a dimensão da insatisfação
No estado de São Paulo, um dos principais termômetros do varejo nacional, as reclamações aumentaram drasticamente entre os dias 24 e 28 de novembro. A média de 1.600 queixas por dia demonstra como os consumidores se sentiram enganados ou prejudicados durante o período.
Os motivos mais frequentes envolviam atraso nas entregas, pedidos cancelados mesmo após confirmação de compra, produtos diferentes do contratado e falhas no processo de pagamento que impediam a aplicação de cupons ou preços anunciados.
As maiores varejistas ficaram no topo do ranking diário, com destaque para Amazon, Mercado Livre, Magazine Luiza, Via (Casas Bahia e Ponto) e empresas de telefonia como a Vivo. Somente no dia 28, foram registradas 1.873 reclamações, o maior volume do período.
A repetição dos problemas mostra que, apesar do preparo esperado para a data, muitas empresas ainda falham em organizar suas operações.
Reclame Aqui reforça a percepção de propaganda enganosa
Além dos dados do Procon, o site Reclame Aqui registrou milhares de queixas relacionadas diretamente à Black Friday.
Entre os relatos mais comuns estavam produtos anunciados como disponíveis, mas que sumiam do estoque após o pagamento; descontos que não se aplicavam no fechamento da compra; ofertas que pareciam válidas, mas eram revertidas para o preço original no checkout; e entregas feitas com itens errados, usados ou avariados.
Os consumidores também denunciaram a prática de reajuste gradual nos meses anteriores, observada especialmente no setor de eletrônicos, o que cria a falsa impressão de redução no dia da promoção. Isso reforça a desconfiança crescente em torno do evento.
Mesmo criticada, a Black Friday segue extremamente lucrativa
Apesar de todas as controvérsias e reclamações, a Black Friday 2025 deve ter sido uma das mais lucrativas da história. Estimativas da Confederação Nacional do Comércio (CNC) apontam movimentação de R$ 5,4 bilhões apenas na sexta-feira, um recorde desde 2010.
O crescimento de 2,4% em relação a 2024 mostra que, independentemente das críticas, o consumidor brasileiro ainda participa do evento, ainda que de forma mais cautelosa.
Economistas avaliam que alguns fatores favoreceram esse engajamento, como a queda média de 8,3% no câmbio, o fortalecimento do real, a melhora no poder de compra e a taxa de desemprego em níveis historicamente baixos.
Entretanto, o endividamento elevado das famílias e o crédito mais caro seguem limitando uma participação mais expressiva.
Segmentos que mais lucraram com a Black Friday 2025
Os setores de hipermercados, eletrodomésticos, eletrônicos e móveis devem ter liderado o faturamento da edição de 2025, representando mais de 60% das vendas.
São áreas tradicionalmente fortes nesse período, pois envolvem produtos de maior valor agregado, especialmente celulares, smart TVs, notebooks, geladeiras e móveis para casa.
Embora os relatórios finais ainda não tenham sido divulgados, a tendência é que os números confirmem o bom desempenho da data, mesmo com tantas reclamações.
O impacto da Black Friday 2025 na confiança do consumidor
As investigações do Procon e a onda de insatisfação exposta nas redes sociais revelam que a Black Friday precisa de mais transparência e responsabilidade por parte das empresas.
Enquanto as grandes varejistas continuarem acumulando queixas por práticas abusivas, a credibilidade do evento permanecerá abalada.
Por outro lado, consumidores mais atentos, informados e acostumados a denunciar irregularidades podem pressionar o mercado a oferecer promoções realmente vantajosas nos próximos anos.






