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Por que você sente vontade de balançar as pernas à noite

Por Leticia Florenço
26/10/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Pés - Reprodução/iStock

Pés - Reprodução/iStock

Você já percebeu suas pernas se mexendo sozinhas enquanto está sentado? Esse comportamento pode aparecer em momentos de ansiedade, estresse ou preocupação. Movimentar os membros inferiores é uma forma natural do corpo liberar tensão acumulada, funcionando como um mecanismo de alívio físico e mental.

É comum confundir esse hábito com a Síndrome das Pernas Inquietas (SPI), conhecida formalmente como doença de Willis-Ekbom. No entanto, há distinções importantes:

  • Hábito: Gerado por ansiedade ou nervosismo, mais ligado ao estado emocional.
  • SPI: Distúrbio neurológico que provoca formigamento, dor e necessidade irresistível de movimentar as pernas, especialmente à noite ou em repouso.

Impacto da SPI no sono e na saúde

A SPI afeta de 5% a 8% da população, sendo mais comum em mulheres, sobretudo aquelas que tiveram várias gestações. Hormônios como estrogênio e progesterona influenciam o sistema nervoso e aumentam a sensibilidade ao estresse.

Além disso, deficiência de ferro em menstruantes, grávidas e na menopausa prejudica a produção de dopamina, agravando os sintomas.

O resultado é um sono fragmentado: quem tem SPI demora a adormecer, acorda várias vezes e não alcança descanso reparador. Consequências comuns incluem:

  • Irritabilidade e nervosismo
  • Dificuldade de concentração e memorização
  • Agravamento de transtornos neuropsiquiátricos existentes
  • Maior risco de ansiedade e estresse

Fatores que influenciam os sintomas

A SPI não é causada pela ansiedade, mas a tensão emocional pode intensificar os sintomas. Outros fatores que aumentam o risco incluem:

  • Deficiência de ferro
  • Consumo excessivo de cafeína e álcool
  • Sedentarismo e vida hiperconectada
  • Doenças crônicas como diabetes e problemas renais
  • Histórico familiar da doença

O desequilíbrio dopaminérgico combinado com estresse ou falta de exercício físico gera um ciclo de inquietação que prejudica o descanso e amplifica os sintomas.

Diagnóstico e exames necessários

O diagnóstico é clínico, feito por neurologista ou reumatologista, e pode incluir:

  • Avaliação detalhada dos sintomas
  • Exames de sangue para níveis de ferro, magnésio e vitamina D
  • Polissonografia em casos específicos

Tratamento

O tratamento envolve medidas não farmacológicas, nutricionais e, em alguns casos, medicamentos:

  • Higiene do sono: Manter horários regulares e ambiente propício
  • Exercícios físicos: Estimulam circulação e liberam neurotransmissores calmantes
  • Dieta equilibrada: Corrigir deficiências de ferro, magnésio e vitamina D
  • Evitar psicoestimulantes: Cafeína, álcool e nicotina

Medicamentos podem ser indicados para casos moderados ou graves, incluindo:

  • Benzodiazepínicos
  • Anticonvulsivantes (gabapentina, pregabalina)
  • Agonistas dopaminérgicos, usados como terceira opção devido à eficácia limitada a longo prazo

Prevenção e cuidados diários

Além do tratamento médico, mudanças no estilo de vida ajudam a reduzir os sintomas:

  • Atividade física regular
  • Limitar tempo em frente a telas
  • Técnicas de relaxamento para reduzir estresse
  • Monitoramento de níveis de ferro e vitaminas

Balançar as pernas pode ser apenas um hábito ligado à ansiedade, mas em alguns casos é sinal de um distúrbio neurológico real.

Entender a diferença entre inquietação emocional e física é essencial para buscar o diagnóstico correto e adotar estratégias eficazes de alívio, garantindo noites mais tranquilas e uma vida diária mais saudável.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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