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Plantas banidas em cidade brasileira prometem dor de cabeça por anos

Por Leticia Florenço
23/07/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Dor de cabeça - Reprodução/iStock

Dor de cabeça - Reprodução/iStock

Durante anos, a leucena foi celebrada como uma planta útil: crescia rapidamente em solos pobres, recuperava áreas degradadas e ainda servia de forragem para o gado.

Originária da América Central, a árvore parecia a solução ideal para desafios ambientais e produtivos. No entanto, seu comportamento biológico altamente agressivo, com capacidade de suprimir o crescimento de outras espécies e gerar um verdadeiro bloqueio ecológico, a transformou em uma ameaça grave à biodiversidade.

A nova lei e os primeiros passos para o controle

A recém-sancionada Lei nº 7.418/2025 estabelece um plano para erradicar e substituir a leucena em Campo Grande. Mas, por mais que a assinatura da lei represente um avanço, a realidade ainda é incerta: não há prazos definidos para o início da remoção, tampouco há um levantamento preciso da quantidade de leucenas espalhadas pela cidade.

Para tirar a norma do papel, será necessário realizar um extenso mapeamento em conjunto com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), identificando onde a espécie está presente, de áreas de preservação permanente a quintais urbanos.

Esse mapeamento será a base para qualquer plano de substituição.

Missão quase impossível

A auditora fiscal da Semades, Silvia Rahe Pereira, é categórica: erradicar completamente a leucena é um “sonho inalcançável”. A árvore, considerada uma das 100 espécies invasoras mais perigosas do mundo, possui sementes com alta taxa de germinação, que permanecem viáveis por anos no solo.

Além disso, é helopática, ou seja, libera substâncias químicas que impedem o crescimento de outras plantas ao seu redor. Dada sua resiliência e capacidade de dispersão, o máximo que se pode esperar é o controle da espécie, e isso exigirá esforços contínuos por muitos anos.

Estratégias já estão em prática

Apesar das dificuldades, iniciativas de substituição da leucena por espécies nativas já estão em curso em Campo Grande. Um exemplo é o projeto Ecoplantar, que atua no Córrego Segredo, plantando árvores nativas em alta densidade para sombrear e sufocar novas germinações da leucena.

Porém, mesmo com essa técnica, a vigilância deve ser constante, pois rebrotas da espécie invasora continuam a surgir.

Como a leucena chegou até aqui?

Introduzida como planta forrageira por seu alto valor nutricional, a leucena também foi testada como espécie regeneradora de solos degradados, devido à sua capacidade de fixar nitrogênio.

Mas esse “superpoder” virou um problema. A planta se multiplica com extrema facilidade e cria ambientes inóspitos para qualquer outra espécie se desenvolver, comprometendo a regeneração natural e destruindo a diversidade vegetal local.

Outra vilã

Além da leucena, Campo Grande também proibiu recentemente o plantio da murta, ou dama-da-noite. Muito usada em jardins por seu aroma forte, essa planta é hospedeira do psilídeo transmissor do Greening, doença fatal para os citros.

A partir de julho de 2025, sua produção, comercialização e transporte estão proibidos por lei.

A murta entra, assim, na lista de espécies proibidas, por representar ameaça sanitária e ambiental. A proibição segue orientações técnicas da Semadesc, Iagro e do Ministério da Agricultura.

Com tantos desafios, a Prefeitura de Campo Grande também está atualizando seu Guia de Arborização Urbana. A nova versão trará diretrizes para o plantio seguro e sustentável de árvores, alertando sobre espécies invasoras, tóxicas ou problemáticas para o convívio urbano.

A ideia é prevenir erros do passado e promover uma arborização que fortaleça o equilíbrio ecológico.

O que está por vir?

O caminho até o controle efetivo dessas espécies será longo e repleto de obstáculos técnicos, legais e ambientais. A ausência de tecnologia barata e escalável para eliminar a leucena em massa é um dos principais entraves.

Além disso, a exigência de adaptações diferentes para cada tipo de área afetada, seja um parque público, uma calçada ou uma reserva ecológica, adiciona complexidade ao plano.

No entanto, a mobilização de especialistas, poder público e população indica que, embora a vitória sobre as invasoras ainda esteja distante, a luta já começou.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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