O estudo “Pai Presente: Os impactos reais da licença-paternidade estendida nas empresas brasileiras”, desenvolvido pela consultoria Filhos no Currículo em parceria com a Coalizão Licença Paternidade (CoPai), a FGV-EAESP e o Talenses Group, aponta que ampliar a licença-paternidade para, no mínimo, 30 dias é uma medida essencial para fortalecer o vínculo entre pai e bebê, apoiar a mãe no pós-parto e impulsionar a produtividade nas organizações.
A pesquisa contou com a participação de pais que usufruíram entre 20 e 180 dias de licença, além de lideranças corporativas e profissionais de recursos humanos. De acordo com os resultados, a presença paterna nos primeiros meses de vida da criança gera benefícios diretos tanto no ambiente familiar quanto no corporativo, refletindo em relações mais equilibradas e em equipes mais engajadas.
Ganhos nas relações
Entre os principais resultados, todos os pais relataram fortalecimento do vínculo com os filhos e melhora na relação conjugal. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a presença ativa do pai nos primeiros meses de vida do bebê pode inclusive provocar alterações cerebrais positivas, ampliando sua sensibilidade e capacidade de atenção.
Nas empresas que oferecem licenças mais longas, observou-se maior engajamento e melhora no clima organizacional. Gestores destacaram que o afastamento planejado dos pais estimula o desenvolvimento das equipes e reforça a cultura corporativa. Pais que retornam após períodos mais extensos apresentam maior equilíbrio emocional, empatia e foco, além de relatarem crescimento profissional.
O levantamento também confirma tendências observadas no estudo “Radar da Parentalidade” (2024), que aponta o cuidado como um fator de desenvolvimento de competências essenciais, como liderança, empatia e criatividade.
Licença-paternidade
O Congresso Nacional avança na ampliação da licença-paternidade. A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei nº 3935/08, que estende o benefício de cinco para vinte dias, com remuneração integral, contemplando pais biológicos, adotantes e guardiões judiciais.
De autoria do Senado Federal, o texto retorna à Casa após alterações aprovadas nesta terça-feira (4). A ampliação será gradual: 10 dias nos dois primeiros anos, 15 dias no terceiro e 20 dias no quarto. Atualmente, o Brasil concede apenas cinco dias corridos, prorrogáveis para 20 em empresas que aderem ao Programa Empresa Cidadã.





